Adoro Irmã Dulce! Como eu morei na Cidade Baixa em minha infância e parte da adolescência, era muito comum vê-la andando pelos Mares - onde eu morava - Roma, Uruguai, Bonfim... às vezes nos horários mais absurdos e de muito calor, ao meio dia, uma da tarde, sob o sol escaldante, de repente, aparecia Irmã Dulce caminhando. Andava com uma pasta, vinha devagar, calma, de cabeça baixa vencendo as distâncias. Ela vivia pedindo ajuda, esmolava por toda Salvador para manter o hospital que fundou no bairro de Roma que atendia os mais pobres, aqueles que não tinham a quem pedir socorro. O socorro vinha dela, de Irmã Dulce. Ela andava dizendo "deus te abençoe", porque todos falavam com ela e pediam a sua benção. Eu fui uma dessas pessoas. Ela já tinha uma aura de santa. Sempre foi santa. Uma maravilha Irmã Dulce! Viveu pra fazer o bem.
Há anos que ando atrás de uma aldrava mãozinha e esta veio via site de compras da net e bem barata em relação às que encontro em antiquários. Tratei de comprar logo! Essas mãozinhas eram bastante comuns aqui em Salvador, nas portas das casas dos bairros mais antigos, como Santo Antonio, Pelourinho, o Carmo, Barbalho, Lapinha etc. e também na Cidade Baixa pelos bairros de lá que eu ia tanto na minha infância e sempre via essas mãozinhas presas nas portas dos casarões enormes. As casas que tinham essas mãozinhas nas portas eram aquelas descritas muito bem por Hildegardes Vianna em seu A Bahia já foi Assim, casas de pé direito altíssimo com porta e janelões na frente e que tinham um imenso corredor - com quartos - que ia dar na sala de jantar que era ligada à copa, à cozinha, à uma área interna, aos quartos dos fundos e ao quintal com coarador de roupa, galinheiro e tudo o mais. Casas imensas e compridas que, para o visitante ser ouvido era necessário a mãozinha/aldrava de ferro que batia com força em um retângulo ou círculo também de ferro e produzia um barulho alto, barulho ótimo de som grave que alcançava os ouvidos dos moradores, sem estridência, onde eles estivessem no interior. A aldrava aqui em questão chegou nas minhas mãos bastante suja e com restos de tinta, o desenho que ela possui estava sem leitura - o punho rendado, o lacinho, o anel com pedra encastoada na mão. Tratei de limpar, retirar todas as sujidades com uma instrumento de dentista. Limpa, passei uma mão de cera incolor e lustrei com uma flanela. A parte de trás deixei sujinha mesmo, conservei os restos do passado dela. Segundo um amigo, essas aldravas mãozinhas eram mais comuns aqui na Bahia que nos outros Estados, não sei, mas que elas lembram as mãos das sinhás e de crioulas baianas, isto bem elas lembram.
Esses dias fiz uma postagem em cima de uma ilustração em que uma dona de casa estava desolada por causa de uma torta que ela havia esquecido no fogo e queimado. "Ó céus", escrevi para dimensionar a decepção e o sofrimento da senhora diante da torta do dia-a-dia queimada. E eis que chega no domingo, 02.09.2018, a notícia do sinistro que tomou conta e destruiu por completo no Museu Nacional. Não tenho palavras, nem o ó céus me alivia e nem dimensiona a minha tristeza. Metáfora de um Brasil que chegou ao fundo do mais profundo poço, este incêndio representa a ignorância e o descaso com a cultura, o emburrecimento, a insensibilidade e a rudeza que tomaram conta deste país ao qual se augurou tanta esperança e se imaginou um futuro belo e próspero. Já era. Acabou. Ó céus!
Ai, se D. Pedro II e toda família imperial, desde D. João VI soubessem onde viriam desembarcar, em que camisa de onze varas se meteriam, acho que, talvez, talvez, permanecessem em Portugal. Para cá, não viriam. Ó céus!
Ganhei há muito tempo de presente esta majólica, imensa, quase do tamanho da minha mesinha oval, marchetada, anos 20. Já coloquei a bandejona em mil lugares, agora está em cima da mesinha...coloco coisas por cima...ela se presta a tudo e é itinerante em minha mansarda, mudo de lugar..."tiro de cena" quando enjoo, mas ela segue comigo.
Fotinha em azul, grudada nos meus álbuns, Marília Medalha uma cantora magnífica, de voz e repertório perfeitos, uma estrela da nossa antiga MPB, do tempo em que talentosos davam em penca como bananas. Onde andará Marília Medalha??? Do Youtube pesquei uma das pérolas gravadas por Marília, em disco de 1973, com direção musical de Rosinha de Valença - acho que tenho este disco guardado - um luxo, um luxo, arranjo sensacional.
Casarão na Barroquinha com as lindas estatuetas de faiança portuguesa que adornam a fachada e que, ao sol, brilham, brilham...amo este casarão! Se ninguém conservar, que deus conserve!
Praça Municipal, Elevador Lacerda, a sede da Prefeitura.
Rua e Igreja da Misericórdia.
Neste dia, início de julho, quando tive que ir ao centrão - Praça da Sé - aproveitei para fotografar. Baixei na Jomira - já fiz uma postagem sobre a loja aqui. Acima adorno de Yemanjá à venda na Jomira.
Igreja da Misericórdia. Nos anos 60 da minha infância, 70 e acho que até o início dos anos 80, a igreja permanecia aberta. Era comum eu entrar, me benzer, rezar, e todo mundo que passava por lá fazia o mesmo. restaurada, hoje a igreja vive fechada. A entrada é pela lateral. Motivo: SEGURANÇA. Ou, melhor, a INSEGURANÇA que reina no local. Aonde iremos parar??? MISERICÓRDIA!!!!!!
Lateral de um dos imensos edifícios que ficam em frente à Igreja da Misericórdia. Até os anos 70 nestes prédios trabalhavam inúmeros alfaiates - eu tinha um lá, Seu Nivaldo, nos tempos em que eu ainda comprava fazendas e "mandava" fazer as minhas calças. Com dia de provas e tudo... Hoje, acho que não há nenhum mais. Alfaiate, uma profissão que praticamente acabou. Diálogo impossível: -Meu filho, o que você quer fazer quando crescer? -Quero ser alfaiate!
Laterais dos edifícios, Themis, o Excelsior ou o Churchil e o da ABI.
Casarão maravilhoso e super restaurado na esquina da rua 28 de Setembro e dando para o Viaduto da Sé.
Excelsior ou Churchil??? Dúvida cruel kkkkkkkkk
Fundos do edifício Themis onde, há muito tempo, havia uma IMENSA loja de discos, LPs. Hoje não existe mais LPs. Ainda resta o Themis, onde fica A Jomira.
Lateral da Igreja da Misericórdia.
Portugal, pois não...
Palácio Rio Branco, eclético bolo de noiva confeitado com todos os adornos de fachada do mundo.
Prefeitura.
O paredão de edifícios onde "outrora" em cada sala havia um alfaiate.
Antiga Casa Moreira de antiguidades. Funcionou durante anos, anos e, de repente, fechou. Parece que vivo em outra cidade que não a que sempre vivi. Onde estou? Onde está a Casa Moreira? Salvador? Onde?
Ladeira da Praça e escada que dá na Casa dos Sete Candeeiros.
Ladeira da Praça e rua lateral-ladeira que vai dar no Terreiro de Jesus. Ao fundo a Igreja de São Francisco.
Ladeira da Praça, final da rua Rui Barbosa, a rua dos antiquários maravilhosos de Salvador.
Ladeira da Praça. Adoro o nome deste prédio: Maestro Wanderley.
Saboaria São Gonçalo.
Fogo, fogo! Sede do Corpo de Bombeiros da cidade. Durante a festa de Santa Bárbara é servido um grande caruru - pra quem chegar! - no pátio do edifício.
Rua J.J. Seabra - Baixa dos Sapateiros. E bandeirolas tardias.
Casas superbonitas - a parte de cima - embaixo vão de loja comercial.
Bequinho na J.J.Seabra que vai dar na rua Rui Barbosa.
Avenida de casas na J.J. Seabra.
De volta à Barroquinha.
Ao casarão e à faiança portuguesa a brilhar, a brilhar...ainda e até quando???
Barroquinha local de supermovimento e hoje um paradeiro só. Inacreditável como este lugar de comércio popular mudou. Em nada lembra o que já foi. Barroquinha, largo fantasma e o centrão de Salvador - que vou tão pouco hoje, mas já fui muito pois tudo era, funcionava lá, não reconheço mais, ainda vejo beleza, mas a tristeza é maior. Xá queto!