domingo, 9 de setembro de 2018

Aldrava Mãozinha de Ferro









Há anos que ando atrás de uma aldrava mãozinha e esta veio via site de compras da net e bem barata em relação às que encontro em antiquários. Tratei de comprar logo!
Essas mãozinhas eram bastante comuns aqui em Salvador, nas portas das casas dos bairros mais antigos, como Santo Antonio, Pelourinho, o Carmo, Barbalho, Lapinha etc. e também na Cidade Baixa pelos bairros de lá que eu ia tanto na minha infância e sempre via essas mãozinhas presas nas portas dos casarões enormes.
As casas que tinham essas mãozinhas nas portas eram aquelas descritas muito bem por Hildegardes Vianna em seu A Bahia já foi Assim, casas de pé direito altíssimo com porta e janelões na frente e que tinham um imenso corredor - com quartos -  que ia dar na sala de jantar que era ligada à copa, à cozinha, à uma área interna, aos quartos dos fundos e ao quintal com coarador de roupa, galinheiro e tudo o mais. Casas imensas e compridas que, para o visitante ser ouvido era necessário a mãozinha/aldrava de ferro que batia com força em um retângulo ou círculo também de ferro e produzia um barulho alto, barulho ótimo de som grave que alcançava os ouvidos dos moradores, sem estridência, onde eles estivessem no interior.
A aldrava aqui em questão chegou nas minhas mãos bastante suja e com restos de tinta, o desenho que ela possui estava sem leitura - o punho rendado, o lacinho, o anel com pedra encastoada na mão. Tratei de limpar, retirar todas as sujidades com uma instrumento de dentista. Limpa, passei uma mão de cera incolor e lustrei com uma flanela. A parte de trás deixei sujinha mesmo, conservei os restos do passado dela.
Segundo um amigo, essas aldravas mãozinhas eram mais comuns aqui na Bahia que nos outros Estados, não sei, mas que elas lembram as mãos das sinhás e de crioulas baianas, isto bem elas lembram.


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