Foto de Kaoro Higuchi para matéria da revista Manchete com as duas cantoras. Esta foto, de 1971, é original. Ganhei de um amigo que comprou parte do arquivo de imagens da antiga revista.
Encontrei por esses dias este programa do show de Elis Regina, o Transversal do Tempo. Uma surpresa total!!!! Adorei na época, o disco do show, mas o disco anterior, o Elis, eu não curti. Como imaginei que o show Transversal do Tempo teria como base as músicas daquele disco, não me interessei de ir ver o show quando ele foi apresentado aqui em Salvador, no Teatro do ICEIA. O Elis de 1977, eu achei um disco pesadíssimo, triste, encucado, como estava a cabeça de Elis naquele período. O Brasil não estava nada fácil também, principalmente para alguns artistas como ela. Então, fazer um disco e um show altamente engajado politicamente, reivindicatório era o que Elis queria fazer e fez. O show era ou foi a contribuição de Elis Regina, como artista e como pessoa, para falar sobre o Brasil daquele momento, como ela via aquele momento. Hoje eu entendo o show como um alerta para a desintegração, a desvalorização do país e da sua natureza, de suas matas, animais, índios, o povo simples, o operário, a massificação, os trabalhadores no qual ela estava incluída, sufocada e engolfada como artista, vivendo na "selva das cidades" e lutando para sobreviver. Sim, voltando. Não quis ir assistir ao Transversal do Tempo. Estava eu, também, "de férias de Elis Regina", como disse Caetano Veloso na época. Ele - com toda razão - não curtiu a forma como ela interpretava a música Gente, meio que ridicularizando a letra. Elis estava sem humor naquele período. Se a música não fosse engajada, ela achava fútil. Gente se fosse cantada seriamente não destoaria do todo do show, afinal e no final, o povo brasileiro quer brilhar mesmo, existir e não morrer de fome. Viver com dignidade. Mas Elis, ou quem orientou ela na direção do show e na elaboração do roteiro, não viu ou não quiseram que ela visse qualidades na letra de Caetano. E eu não fui ver o show com meus amigos, lá no teatro do Barbalho. Depois eles me falaram maravilhas, tipo "você perdeu etc. e tal. "ela estava uma loucura", "cantando divinamente, pra variar, afinadíssima"..."cantava uma música num tom altíssimo e correndo de um lado pro outro do palco - a música Corpos de Ivan Lins e Vítor Martins - sem parar..." achei uma loucura... só Elis mesmo pra fazer tal feito. E sem desafinar. Mas nada me abalou. Quando o disco ao vivo saiu eu fui logo comprar e adorei. Que ódio!!! Eu deveria ter ido kkkk, com certeza, vendo o show, minha resistência iria ter fim, nocauteada pela maravilha de ver Elis em cena e cantando com aquela vontade e gana que ela tinha quando entrava no palco. Mas, Elis, sempre mudando e partindo pra outras, no disco seguinte o Essa Mulher, - ela já era uma nova Elis, uma nova mulher - já me arrasou, já caí de 4, me enlouqueceu e o show seguinte no TCA eu não perdi. E aquela foi a primeira e última vez que vi Elis Regina ao vivo.
Uma máquina Hermes - sou o feliz possuidor de uma até hoje! - e um Caravan. Carro imenso que dava para mil famílias. E o cachorro. Coisas da época na transversal do tempo. Ainda nem se imaginava, em 1978, um computador nas casas, corriqueiro como um liquidificador, internet, cruzes!, celular...ficção, misericórdia! Creio em deus padre! Hoje a gente vive o final do tempo. Nada de bíblico pelo amor. Final de linha. O tempo se esvai e se consome e não temos tempo nem de refletir se estamos numa reta ou numa transversal, o momento anterior, o que foi? e o seguinte, o que será? não temos ideia. Nem causa e consequência tem resultado, não dá em nada e se der, nada. É um final nada. Nenhum. Embaralhou o meio de campo e segue assim. Melhor seguir - vamos! - senão ficamos...ficamos? como? As coisas que eu sei de mim? Caminhemos, talvez nos vejamos depois. Talvez nos vejamos, quem sabe. Quanto tempo. Pois é. Quanto tempo.
Ultimamente tenho revisto algumas apresentações de Elis pelo mundo e sempre fico impressionado com musicalidade e perfeição técnica da cantora já madura nos anos 60, apesar de ainda bastante jovem em idade. De 1969 vi os ensaios e a apresentação em Portugal, acho que a primeira vez que ela cantou lá. No Facebook tem o grupo analisando Elis Regina que descola mil imagens de Elis. A ilustração, ou um negativo de foto, não sei, é da revista/jornal Já de 1971 que eu já postei o volume todinho aqui. Elis Regina, Elis Rainha, uma lacuna na música brasileira impreenchível.
Dois anúncios da Campanha Nacional de Combate ao Câncer, veiculados na revista Seleções Reader's Digest, respectivamente nos meses de agosto e outubro de 1968.
Elis, ao lado de Danton, maquiador de São Paulo. Essa foto dos dois deve ter sido feita durante um ensaio que Elis fez para a fotógrafa Vânia Toledo em 1978. A foto é do arquivo particular do meu amigo Antonio, de São Paulo. Coisa rara! Elis, A Maior, estava espetacular nesse modelo bem sexy, coloridíssimo, ousado e mostrando tudo. Ui! Seria de Clodovil o vestido?
Essa é uma das últimas entrevistas dadas por Elis para a imprensa escrita. A revista é a Amiga e, nela, Elis, que na época estava nos Estados Unidos para fazer um disco com Wayne Shorter - que não rolou -, faz planos - toda animada - para dar uma virada na carreira. Hoje, 19 de janeiro de 2017, faz 35 anos - uau!!!, como o tempo passou rápido! - que Elis faleceu, porém, ela está mais viva do que nunca, pois sua obra está aí, espalhada pelo mundo, através dos discos perfeitos e irretocáveis que gravou em tão pouco tempo de vida.
A matéria.
Elis, abaixo, cantando Tu Mi Delirio, um bolerão mexicano que a cantora e César Camargo desconstruíram, mudaram toda a harmonia, ritmo e fizeram esta versão linda e totalmente cool. A gravação é péssima e eu poderia ter escolhido muitas outras coisas de Elis para ilustrar este post, mas preferi pescar esta pérola delicada, uma pérola musical de Elis, a professora, ensinando a cantar. E viva a Elis Regina!
Da minha coleção - que foi de meu pai - estas duas páginas do Domingo Ilustrado de outubro de 1971, época do Festival da Canção do Rio. Fofocas, fofoquinhas, fofocões. O Domingo Ilustrado era um jornal lindo editado por Samuel Weiner, coloridíssimo, imenso, cheio de páginas com matérias ótimas, fotos magníficas, o papel super bom o que faz com que depois de tantos anos, as fotos estejam perfeitas, o jornal inteiro super lindo e pronto pra ser lido ainda e tirar um grande sarro. Por ser muito grande e estar encadernado é impossível escanear. Só rola fazer fotos. Já coloquei algumas matérias aqui no blog e, agora, jogo esta: um barato 70!
Foto super atual de Elis, tipo "tirada ontem", mas que deve ser mesmo do início dos anos 80 do século passado, quando a cantora deu by by e se foi deixando um vazio, um buraco que jamais irá ser preenchido por outra cantora ou aspirante a. Incrível a roupa usada por Elis, tão moderna misturando malha, tecido e couro pespontado. Um barato! E ELA dando um abraço na galera. Demais! Arrastei do Face a foto. Quem seria o autor de tão bela imagem da nossa melhor cantora??? E para relaxar e tomarmos uma lição de canto da nossa cantora/professora, vamos ouvir uma página musical do repertório de Elis: "Maravilha" de Chico Buarque e Francis Hime, show ao vivo em Portugal, 1978. Bom domingo!
Elis e o ainda baby, João Marcelo. Sobre a notícia de Gal: sei que o show "Fatal" foi filmado por Leon Hirszhman, na época, e nunca foi lançado. Será esse o "filme colorido", isto é, "violeto" de Gal??? No mais, vamos ficar actualizados com as notícias de 71! KKK O meu blog é muito informativo. "Por dentro da notícia". Uso o Telex, a agência UPI, o Western, a Intelsat. Tudo é "Via Satélite", é claro. Recados, bilhetes, cartas, telegramas etc. etc. Fofocas e fuxicos. Tudo vale. Só não uso Internet, pois ainda não foi inventada.
Matéria do Domingo Ilustrado com uma outra sequência de fotos de Elis feitas por Kaoru Higuchi. Quatro dessas fotos não estão na entrevista da revista Manchete que confrontou Elis e Bethânia em um jogo de "quem sabia mais", e que eu já tinha postado aqui blog na íntegra. Que bom que guardei essas coisas e hoje, posso confrontar o encontro das divas.
E, abaixo, algumas das fotos que já tinha postado.
Meu pai colecionou O Domingo Ilustrado, mandou encadernar os volumes e depois me deu. Ele sabia que eu iria guardar, conservar. O "Domingo" foi mais um presente que ele me deixou.
A última foto, abaixo, das duas estrelas da nossa música, e com melhor qualidade, é do Google. Um dia body and soul. Um dia de Elis e Bethânia.