No início do ano meu amigo Walter me deu duas xícaras, uma japonesa de finíssima porcelana e linda estampa (depois coloco aqui ) e esta que, ao me dar, disse: "É Vieux Paris".
O pegador da xícara estava solto, já tinha sido colado e tornei a colar.
Vendo o blog do Luís, o Velharias, que na última postagem colocou uma deslumbrante xícara do Vieux Paris, achei o momento certo de postar este presente de Walter para mim e fazer uma ponte, um "link" - sou moderno, KKK - um trancetê Bahia, França passando por Portugal.
A xícara é linda, delicada, uma flor em relevo que sai aberta dos galhos verdes que circunda o corpo da xícara e passa pelo pegador. "Na forma imitando a ourivesaria e na decoração a estampa dos finos tecidos". E tem características da art nouveau também. Se for realmente uma Vieux Paris terá sido fabricada entre o final dos séculos XVIII, início do XIX.
Embaixo da xícara o número 700 e umas incisões de traço diagonal e de dois diagonais cortados.
Na parte de baixo do pires o número 6.
Hummm. Que beleza!!!
A xícara repousando sobre uma bela, trabalhosa e tinhosa toalhinha de crochê feita por uma muito boa e prendada senhora de antigamente.
Embaixo, a xicarizinha já enfurnada no meu armário/vitrine que já não dá para mais nada: virou um brechó!
Cruzes! São Longuinho, não me deixe perder nada!!!!
Santinho de minha coleção com estampa de Santo Antonio um pouco diferente das habituais onde ele aparece carregando Jesus no colo. Esta conta uma história... estando o santo em oração eis que lhe aparece o Menino Jesus.
Hoje várias igrejas dedicadas a Santo Antonio aqui em Salvador estão em festa para celebrar o dia dele e o final festivo da Trezena. Eu fui à Igreja da Piedade onde assisti a missa das 10. Lá tem uma grande devoção ao santo, mas achei - estranhamente - a igreja meio vazia... não sei se pelo horário, porém, geralmente no dia 13 de junho, e em todos os horários, nem uma formiguinha conseguia entrar no templo. Hoje até um elefante adentrava...
No mais, Viva a Santo Antonio, o mais popular e querido santo entre todos, o santo de dentro da casa da gente e de todas as casas do Brasil.
Mais uma das ilustrações "doidas" da Globerama - Tesouro de Conhecimentos Ilustrado, ed. 1962 - que eu tanto adoro. Esta é o máximo...vá entender!
Foto de João Gilberto colada nos meus álbuns dos anos 70, recortada de alguma revista daquela época. Não é uma foto muito comum e por isso estou colocando aqui.
E porque sou fã, é claro.
Bim Bom.
Ilustrações na revista Eu Sei Tudo, junho de 1953.
Foto do próprio autor da escultura, Juarez Paraíso, hoje no Jornal A Tarde, 2 de junho.
Uma pena a obra estar em local privado, e não em um local público, para todos verem a beleza que é esta Iemanjá. Eu nunca vi e nem sabia da existência.
Mas, poderia ser o contrário, ainda bem que está em local privado porque se estivesse no público, poderia já nem mais existir. Aliás, Juarez Paraíso é um artista que já sofreu com inúmeras obras que foram destruídas ou abandonadas, como as do antigo Cine Bahia - desativado para ser uma igreja - e a do Cinema Tupi que ainda funciona. Em ambos os locais, salas de espera deslumbrantes.
No mais, só Iemanjá na causa e nas causas de Juarez Paraíso.
Hoje é o início da Trezena de Santo Antonio, o santo mais popular e mais amado do Brasil. A imagem do postal está na Igreja de Santo Antonio da Barra, Salvador.
Childe Hassam - 1859/1935 - pintor americano de cenas urbanas com muitas carruagens, seges, vitórias, tílburis etc. rodando por ruas molhadas de chuva e seus passantes apressados.
Depois de fazer a postagem anterior sobre "traquitanas e tais", eis que me surge pela frente, e por acaso, as obras deste pintor que atravessou o século XIX para o XX, viveu o tempo das carruagens e dos primeiros automóveis.
Ilustrações em uma edição dos anos 50 do Novo Dicionário Enciclopédico Luso-Brasileiro, uma versão menor, mas ainda com as mesmas ilustrações e textos dos verbetes das edições anteriores que são, creio eu, dos anos 20 do século XX.
Nem é preciso dizer que adoro uma traquitana, uma sege, um palanquim, uma liteira, um tílburi, uma vitória, um trole, um landô, uma caleça etc. etc.
E lá e aqui, também.
(Almanaque Figatil, 1969)
Altar de Santa Rita, hoje, 22 de maio, na Igreja da Piedade, Salvador.
Foto nos meus álbuns de artistas dos anos 70.
Amo Doris, Elis, Gal, Elizeth, Ângela, Maísa, Claudette, Dalva, e tantas outras cantoras maravilhosas que o Brasil já deu, mas...
Nara é a tal!
Antes que maio acabe, aqui vai a minha contribuição para o mês das noivas com este elegante vestido que eu achei em um brechó no bairro do Sumaré em São Paulo. O fascinante, mais incrível e bonito é ele assim, montado em um manequim no meio de uma sala do brechó, "noiva oca de roca do pau oco", mas, porém ...vemos uma verdadeira noiva no significado dela, no imaginário da vida. É real mais que real, super real, supra real, mais que verdadeiro fora de um corpo real de mulher.
Teatral, porque fora do contexto, prende a visão. Coisa maluca, no meio da mocofaia toda, um vestido de noiva, modelo antigo em cetim, corpo e mangas de renda, botões forrados do tecido e presos por ilhoses que descem até a cintura da vespa criatura. Simples. Não me lembrei de olhar se tinha etiqueta, talvez fosse de loja da rua São Caetano, sei lá.
Manchado, amarelado, sambado, marcado pelo tempo, mas tão bonito, altivo, solene e, apesar dos males, um Vestido de Noiva!
Esse modelo tem clima e é pra mim muito mais interessante do que modelos que tenho visto por aí presunçosos ou vestidos de noivas "piriguetes". Sem clima.
Bem, no mais, adoro um vestido de noiva e mais ainda estando ele em um contexto absurdo e surpreendente.
Das fotos compradas em brechó.
O nome da pastelaria escrito em letra cursiva na frente da loja ficou muito bonito. Um resultado bonito.
A foto deve ser do interior daqui da Bahia, pois o "pacote" tinha só imagens daqui do Estado.
Pastelaria Irmãos Magalhães...vontade de comer um pastel, um pastel de época, anos 50 na solidão daquelas paragens.
Quem será o senhor encostado na porta? O feliz proprietário do estabelecimento, um dos Magalhães? E o garoto acabrunhado, meio que desconcertado?
O interior parece bem sortido e tem alguém, um vulto de vendedor atrás do balcão. Ali não deveria ser só uma pastelaria, mas, sim, um armazém de secos e molhados onde se vendia de um tudo, um grande sortimento de produtos, variedades, novidades da capital, um mundo de coisas ou de tudo um pouco e mais o pastel.
Desenho em uma bolsa dos anos 50 em couro, conservadíssima e à venda em uma loja retrô muito legal na Rua Augusta em São Paulo. O preço, altíssimo, aliás, tudo com o preço correto, para quem pode pagar por peças de época e muito bem preservadas.
Fiquei na foto da estampa da bolsa - eis ela aqui! - uma graça, linda.
- Querida! Estou recebendo uns amigos aqui em casa... não posso me estender. Sim, é uma reuniãozinha pequena, na verdade um coquetel souper para 30 pessoas...sim, sim, estou usando o vestido da Casa Canadá que lhe descrevi...ficou muito bem...não estou podendo falar...querida...querida...você sabe como é que é, tenho que me dividir com todos, aliás, eu e o Rodrigo Otávio, meu marido. Tchauzinho, querida!
-Que chata, às 20 horas, eu dando uma passadinha rápida com o aspirador no meu boudoir e esta desocupada querendo bater papo! Ora, me faça uma garapa!
Nota: mulher que vestia Canadá não passava aspirador de pó. Nunca. Jamais.
Trin! Trin! Trin!
- Vou deixar tocar à vontade, já disse que não estaria em casa neste horário, aliás, nem tenho que dar satisfação dos meus hábitos noturnos para ninguém. Às 22 horas inicio o meu sono de beleza, minha cútis precisa estar repousada e fresca pela manhã. Sou uma mulher diurna.
Que gente cacete...o que querem falar depois das 22 horas pelo amor de deus??? Ora, me bata um abacate!
Propaganda de aparelho de telefone. Revista National Geographic, outubro de 1959.
Esta é Irmã Agnes, ela ministrava aulas de rendas de bilro em Positano, digo ministrava porque a revista National Graphic da qual retirei as fotos é de 1959...daí que, a boa Irmã Agnes já deve ter voado para o céu com o seu magnífico chapéu corneta alvíssimo, engomadíssimo, espetadíssimo há muito tempo.
-Ai, Irmã Agnes, a senhora está me espetando com este chapéu....
-Ora, ora, meninas, controlem-se e vamos à renda. Não estou vendo produtividade hoje...
-Mas, Irmã Agnes, nós estamos aqui sentadas desde às 6 da manhã, estamos com as vistas cansadas e este calor abrasador em Positano...estamos exangues!
-Ora, cale-se querida e me desfaça toda esta carreira já, não está vendo que a renda está folgada, com os pontos lassos, frouxos, tenha mais atenção! E desfaça, desfaça, vamos!
-Eu não aguento mais, eu vou desfalecer...
-Desmanche este lavoro, já disse! Isto é uma encomenda, não é um passatempo...
Mas será que a Irmã Agnes era tão rigorosa assim e tão sem coração para com as aprendizes. Suponho que não. Perfeccionista, isto sim. Devia ser un amore!
-Muito bem, meninas o ricamo está uma beleza!!! Foi necessário eu passar uma repreenda para tudo normalizar, não é mesmo?
E apressem-se queridas, a procissão sai logo mais à noite.
E eu tenho que trocar o hábito e o chapéu, evidentemente. Este calor em Positano desenforma-o completamente, sinto-o cair sobre os meus ombros. Uma Vicentina de escol tem que estar com o seu chapéu sempre para o alto, apontando para o céu.
-Vamos, vamos meninas, todas perfiladas e cantando bem alto, vamos acordar Positano inteira!
-Estou achando este desfile desordenado, controlem-se garotas, concentradas no canto, nunca vi um hino cantado tão desentoado! Jesus, Maria, José!
-Vocês irão ficar sem o lanche, isto sim!
-Não Irmã Agnes, estamos famélicas! Loucas por uma pizza!
-Pois, sim! Então façam bem os seus papéis!
-Ao desfile!
Recordações de minha visita ao Museu Afro Brasil, São Paulo, em 2017 - entrei lá às 14 horas e saí à noite, os funcionários me lembrando do horário de visitação! - recordações do seu maravilhoso acervo e, recordações e lembranças da sua, da minha, da nossa querida atriz e estrela máxima do teatro, cinema e televisão, Ruth de Souza que, hoje - Parabéns! - completa 98 anos!!!
Ruth está no patamar de Fernanda, Tônia, Tereza Rachel, Natália, Cacilda, Marília, Bibi, Dercy, enfim, no que há de mais representativo da arte brasileira. E tem outras incríveis atrizes brasileiras que, se eu fosse citar, não acabaria nunca e que fazem parte do melhor da nossa arte de representar. E bem!
A nata da nata e, entre elas,
Ruth de Souza!
Álbum de 1980 com artistas das novelas da Globo.
Ruth, estrelíssima!