sábado, 6 de abril de 2019
Igreja do Santíssimo Sacramento e Sant'Ana . Interior . Lápides
Em fevereiro fui ver como ficou a Igreja de Sant'Ana após o restauro, fui com o meu amigo Walter e fiz algumas fotos, essas que aqui estão seriam para o fim, mas resolvi inverter a ordem e comecei pelo chão, pelas lápides, pelos restos mortais de baianos ali sepultados. O motivo? Gosto e, sempre que vou a uma igreja antiga não deixo de fotografar aqueles recantos onde jazem antigos fies homenageados e pranteados pelas suas famílias. Outro motivo? Os textos são ótimos, epitáfios como bem se faziam antanho. Outro motivo? Os nomes dos enterrados, dos mortos, dos que lá estão no chão, abaixo do chão sagrado das igrejas, onde, antes, eram sepultados os de bem, em tempos em que não havia cemitério e no tempo em que, quem não tinha dinheiro, era enterrado nas vizinhanças das matrizes, das basílicas, das igrejas e capelas na frente e ao lado delas.
Os nomes. Me impressiona e me emociona os nomes, nomes de gente, de gente antiga, nomes que foram populares em outra época e que estão totalmente fora de moda, autênticos palavrões...imaginemos uma menininha batizada, hoje, como Jovita???? A mãe, com certeza, pirou, surtou. Felicidade, Maria Felicidade - que lindo! -. Dionízia. Jacintha. Jacintha Heleodora! Francisca Mathilde. Hoje os nomes parecem marcas de loja, sei lá! Renner! Por que não??? Tudo, menos simples nomes de gente...Maria, José, Pedro, Luzia, João, Jorge...Luiz. Carlos...Carlos! Não tenho escutado esse nome por aí... Que horror!!!
Em tempos de nomes como Géssica, Webster, Kennyson, Emmanuele - consoantes dobradas é muito chique! - Paola - por que não Paula pelo amor de deus... estamos em Itália? - e os bíblicos - na última moda -, Esther, Hadassa (!), Esaú e outros. Eva, que acho tão bonito, ainda não ressuscitaram. Adão, ainda não e acho que não, não, não irão ressuscitar. Ou irão????
E é isto. Depois mostro - posto - o resto dos daguerreótipos daquela manhã de verão...era fevereiro..., um calor insuportável e eu e meu amigo enfiados em uma igreja a contemplar o quanto ficou bonita a minha, a nossa querida Igreja de Sant'Ana após restauro.
Naquele dia o ossuário estava fechado, então, teria mais fotos e fiquei só nas lápides.
Vamos passear pelas lápides?
quarta-feira, 3 de abril de 2019
segunda-feira, 1 de abril de 2019
Teresa Sousa Campos . Revista Manchete . 1968
A bela Teresa Sousa Campos que nos anos 50 e 60 fazia a trinca de as mais elegantes da alta sociedade carioca, mais Carmen Mayrink Veiga e Lourdes Catão. Aqui nesta Manchete de janeiro de 1968, Teresa foi capa e matéria de primeira página dando boas vindas ao ano que se iniciava.
Na França, Brigitte Bardot, esolhida para brindar o ano novo com um programa de TV - Special Bardot - é comparada a Teresa, a mais "admirada" mulher brasileira da época.
Essa revista, eu acabei de ganhar em São Paulo, do amigo e também colecionador de velharias, Samuca, que sabe como eu adoro BB e Teresa, a beleza suave e morena da antiga "trinca de ouro" da lista das mais elegantes do Brasil.
sábado, 30 de março de 2019
Nelita Alves de Lima
Anúncio de março de 1945 na revista Seleções Reader's Digest no qual aparece a senhorita Nelita Alves de Lima, membro de tradicionalíssima família paulistana ligada ao café, posando e dando credibilidade para o Creme Pond's, garantindo a sua eficácia na cútis de quem o usasse ou fizesse o tratamento com seus cremes.
Esses anúncios do Creme Pond's saíam na Seleções e sempre uma mulher de família tradicional do Rio de Janeiro ou de São Paulo posavam e enalteciam o produto: "O frescor e maciez da minha pele muito devem ao admirável método Pond's dos dois cremes", disse a jovem Nelita.
Já coloquei aqui no blog outros anúncios desse tipo e eu adoro eles. As fotos são lindas, bem de época, estudadas e, este, com Nelita, uma mulher super bonita, segurando e olhando embevecida para uma rosa, é demais!
Feminilidade... é a palavra para esta bela propaganda.
quarta-feira, 27 de março de 2019
Salvador . 470 Anos
O texto acima é a parte final de uma matéria, como se pode ver, escrita por Zoroastro G. Figueiredo para a revista Vida Moderna de maio de 1949, portanto, dois meses após o IV Centenário da Cidade de Salvador.
Achei esta página solta e dobradinha dentro de um livro de ginástica, de preparação física e, o interesse de quem a guardou, era o verso desta página que tem fotos de exercícios para emagrecer. Eu me interessei pelo texto de Zoroastro - ele escrevia também para o Jornal das Moças, mas não consegui saber mais coisas sobre ele. Bem detalhista - uma pena só ter parte do texto - ele conta como foi aquele dia de festa em que todo o povo de Salvador participou, inclusive pessoas da "alta sociedade", as pessoas "bem".
O desfile foi dirigido por Chianca de Garcia, um argentino que veio organizar a mistura baiana.
Na foto abaixo, está a atriz Jurema Penna fazendo uma dama antiga sentadinha em seu palanquim ou cadeirinha de arruar.
Eu era muito amigo de Jurema e ela me falou várias vezes sobre esse desfile que marcou, também, o início da carreira dela como atriz. Nilda Spencer também participou e deus e o mundo do meio artístico da época. Deve ter rolado um cachezinho ótimo para todos.
Este ano Salvador está completando 470 anos, mas acho que há setenta anos era muito mais gostoso viver aqui, o povo era mais educado e não tinha essa violência urbana que vivemos no dia-a-dia da nossa cidade. Acho que neste ponto - segurança e educação - não progredimos e sim, regredimos. Aliás o Brasil como um todo.
Embruteceu o que era doce.
Pesadelo o sonho virou.
E salve-se quem - ainda! - puder.
As animadas e agitadoras da cena baiana, Jurema e Nilda já se foram e muitas outras pessoas maravilhosas que faziam e fizeram a cultura da Bahia, de Salvador, cidade que na década seguinte - anos 50 -, viveria um boom nas artes com a Escola de Teatro, Escola de Dança, Cinema, Artes Plásticas, Arquitetura, Música e etc e etc.
Jurema, ótima e faceira, sentada na sua boa cadeirinha!
sexta-feira, 22 de março de 2019
Nara Leão e Tuca . Paris . 1970
Essa foto está colada em um dos meus álbuns dos anos 70 e é da época em que Nara e Tuca, as duas morando em Paris - Nara casada com Cacá Diegues - se juntaram, fizeram as bases de violão do disco e Nara colocou a voz no Lp que lançaria em 1971 só com músicas de bossa nova.
Fiz uma postagem com o mesmo título aqui, mas a foto colocada não é dos anos 70: reconhece-se pelos cabelos e penteados das duas. Mas, já naquela época e, musicalmente, as duas já se afinavam.
Tuca tocava violão super bem e a voz dela era linda, sem vibrato, clara, moderna como a de Nara. Infelizmente Tuca morreu cedo e anda completamente esquecida, parece que nem existiu... o Brasil emburreceu tanto... espero que Nara nunca seja esquecida... mas, com a ignorância galopante, não duvidemos de nada.
Nesta foto as duas parecem que estão ensaiando loucamente para o disco. Menescal dizia: "Nara você não pode ficar sem gravar!!!!" E as únicas músicas que ela queria cantar naquele momento eram as músicas de bossa nova - que ela nunca tinha gravado. E o resultado depois do silêncio é o disco da neve, do casaco e da ponte - do amor, do sorriso e da flor, mais um disco perfeito de Nara Leão.
Abaixo, a página do meu álbum com mil fotos misturadas: João Gilberto, Airto Moreira e Flora Purim, Nara e Tuca, Rachel Welch, Joanne Woodward, Ann-Margret, Warren Beatty e Tom Jobim, Egberto Gismont, Renata Fronzi. Todos cabiam no meu coração de adolescente.
Bom tempo de quem tinha tempo para fazer colher e bordar o cabo.
E fazer álbuns de artistas.
Cruzadas Palavras
7- Indivíduo sem préstimo por medroso ou estúpido.
4- Docemente, com pouca força.
Revista Eu Sei Tudo. 1953.
terça-feira, 19 de março de 2019
sábado, 16 de março de 2019
Rainha Elizabeth II . 1953
Encarte na revista Eu Sei Tudo, junho de 1953, Elizabeth, recém coroada Rainha da Inglaterra.
-E quem é esta sirigaita dos trópicos sacolejando essas maracas abomináveis na minha página?????
quarta-feira, 13 de março de 2019
domingo, 24 de fevereiro de 2019
Barroquinha Zero Hora
Comprei recentemente um álbum de fotografias em que não há a identificação das pessoas e nem o ano em que elas saíram no Barroquinha Zero Hora. As fotos não são de boa qualidade e também já estão muito desgastadas pelo tempo, pela umidade, mofo etc. Limpei, escaneei e elas aqui estão.
Fui ao Google para ver se havia alguma foto do antigo cordão carnavalesco, mas não achei imagem alguma, mas achei referências ao Barroquinha Zero Hora, sim.
O Cordão saía à meia noite de sábado e era como se fosse a abertura oficial do carnaval baiano e isso durou muitos anos. Me lembro de ouvir falar da animação que era o Barroquinha Zero Hora, mas à meia noite nos anos 60 e início dos 70 neste horário eu já estava dormindo. Infelizmente não era mais velho para poder curtir aquela folia que começava à meia noite e só deveria acabar na manhã seguinte e tinha gente que a partir da saída do Barroquinha Zero Hora emendava e só chagava em casa na quarta-feira de cinzas próxima.
O cordão, segundo apurei no Google parou de sair há mais de 30 anos e, acho, que saiu pela última vez nos anos 80. Seus integrantes e associados, suponho serem na sua grande maioria formado por moradores do próprio bairro, a Barroquinha, e adjacências, como Nazaré, Mouraria, Av. Sete - nessa época ainda com bastante residências, a Carlos Gomes, o Gravatá, a Independência, Desterro, Baixa dos Sapateiros, Saúde, Largo Dois de Julho, enfim, todos aqueles bairros que formavam e formam o centrão de Salvador. Mas, deveria ter pessoas que vinham de outros bairros, porque o Barroquinha Zero Hora era um acontecimento que marcava o início da folia, deveria ser animadíssimo, a bateria toda percussiva e com instrumentos de sopro deveria ser uma loucura de bom!
O Barroquinha Zero Hora era daqueles cordões em que o folião ficava protegido no interior por cordas que eram esticadas e guardadas por homens fortes que não deixavam entrar penetras. Lá dentro não havia como hoje o tal do "carro de apoio" com bebidas, banheiro etc. O folião se abaixava quando queria beber, passava por baixo da corda e voltava depois. Tudo tranquilo.
Como falei essas fotos estavam em um álbum já bem acabadinho, as fotos dentro de páginas protegidas por plástico o que as conservou, mas também produziu umidade. Mas, resistiram, ainda bem e ainda bem que o encontrei e o salvei do lixo fatal.
Em quase todas as fotos vemos uma moça vestida com a "mortalha" daquele ano que deveria ser bem colorida, com uns estampados meio "psicodélicos", a palavra "Dengo Dengo"e o nome da Bahia escritos e, o desenho de uma baiana na frente. Os homens usavam uma bata com manga comprida e, me parece, estavam vestidos com calça comprida, sinal de que o clima de Salvador já foi mais ameno. Na testa, "a moça das fotos" e todos usavam uma faixa com o nome Barroquinha Zero Hora em volta da cabeça (e todos os blocos e cordões da época os participantes usavam a tal faixa com o nome da sua agremiação).
O álbum eu acho que foi desta moça vestida com a sua boa mortalha - deveria ser feita de algodão, fresca, nada de tecido sintético - e que saiu naquele ano com a sua patota e foi munida ou pediu a algum fotógrafo de rua para registrar aquele momento de alegria dela no seu cordão do coração o Barroquinha Zero Hora.
Que bom que ela teve a feliz ideia de registrar à saída dela no cordão - suponho nos anos 70 - e que bom que depois de tantos anos eu encontrasse esses registros e mesmo com a qualidade baixa das fotografias, poder "re-eternizar" aquele momento- "daquela moça foliã" agora, aqui no meu blog.
Um bom carnaval 2019 para todos.
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