Fotos de alguns de nossos melhores escritores do Brasil - algumas com um colorido ótimo - em uma Enciclopédia Delta Júnior. Me deu vontade de escanear e colocar aqui. Closes bonitos.
Recentemente li o livro de memórias de Vilma Guimarães Rosa, e as memórias dela do pai, escritor fantástico, homem inteligente, com uma obra ímpar. Amei saber de coisas da vida dele, de como ele escrevia os livros recorrendo à memória do pai a quem perguntava tudo, as coisas das Minas Gerais, os costumes, as palavras e ia escrevendo os seus grandes livros.
Vinícius de Moraes nunca mais li um livro inteiro, mas já li muitos, agora, leio/releio esporadicamente um poema ou outro. E as letras de músicas que fez estão no meu dia a dia, na minha memória. Adoro Vinícius, um homem que soube viver a vida.
Acho que Jorge Amado deveria voltar a ser mais lido, parece-me que neste "novo Brasil" que é laico mas que despreza a liberdade religiosa, a obra de Jorge Amado vem sendo vista como a de um autor que prega o candomblé. E não é assim. E se pregasse qual seria o problema? Não vivemos com pregadores de outras religiões a bradar nos nossos ouvidos o dia inteiro e nos lugares mais absurdos? A Bahia é mística, tem feitiço, tem mistérios. E é isso que está na obra de Jorge. Não só a religião do candomblé.
Antigamente em todas as casas tinha em alguma estante e bem à mostra a coleção completa de Jorge Amado, uma da capa vermelha. Ficava muito bem na sala...decorava.
Estou louco para reler Jubiabá, mas quero o livro de uma edição antiga da Martins Editora. com aquelas capas lindas de Clóvis Graciano e de outros artistas.
Carlos Drummond é onipresente em todas as conversas, nas "tertúlias", "nos saraus das casas de todas as Novais", é unanimidade, é referência, tudo tem um "antes e depois" de Drummond. É muito estudado, enfim, é um poeta definitivo. Mas, temos Murilo Mendes. Jorge de Lima, Manuel Bandeira, Ferreira Gullar e tantos outros para mim, também, referência e tão definitivos quanto o poeta de Itabira.
Atualmente reli as obras completas de Da Costa e Silva. Que poeta foi aquele!!! Um espanto!! Em todos os poetas há um Da Costa e Silva.
E há muitos, muitos outros. A poesia brasileira definitivamente não é só Drummond.
Nas "bonecas russas" da poesia brasileira uns autores cabem nos outros, se ajeitam e se completam.
Guimarães Rosa eu li pouco. Um pecado, uma falha imperdoável da minha parte. Preciso ler urgente, porque depois de ler o livro da filha,Vilma, fiquei louco para sentir aquele universo mineiro do poeta, as palavras, as frases, as histórias do sertão de Minas.
João Cabral de Mello Neto, é outro grande poeta - referência - mestre em usar a palavra certa na construção perfeita dos seus versos perfeitos, nada é sobra no poema de João Cabral, tudo é o preciso, o necessário.
A foto de Guimarães Rosa: depois desse discurso na Academia Brasileira de Letras onde acabava de assumir uma cadeira, ele faleceu. Durante anos recusou ser eleito, empossado, pensava que morreria logo e então protelava, protelava a cerimônia, quando resolveu ser imortal em vida, morreu.
E imortal ficou.
Hummmm!!! Eu adorava essas colunas de Ibrahim e os assuntos.... ah!, os nomes das elegantes...Adelaide de Castro, Lourdes Faria, Lia Neves da Rocha, Yvone Giglioli, Nelly Jafet, todas chiquérrimas!!! E a decoração das casas, o menu!!! Hummmm! Amava!
Essa coluna está sem data. Uma pena! Mas deve ser dos anos 80. E euzinho, naquela década, pobrezinho - e ainda sou - adorava uma coluna social.
Acho que todas essas grandes damas da sociedade carioca "já se foram". Mas fizeram história.
Mas isso é passado!
e KKKKK
Ilustração em Pequena Enciclopédia da Língua Portuguesa de Antenor Vieira, edição de 1964.
O ano letivo bem não começou e ela já está nervosa, de óculos escuros - olheiras vampirescas - o vestido de tecido grosso sufocante - ela engordou nas férias - e o colar - volta de pérolas super falsas - engarguelando o pescoço. E o salto alto! ...ela é maluca?? E o barulho e o calor, o abafamento, o aquecimento global - 50 graus! - e ela ainda tendo que raciocinar, pensar com lógica - "o alfabeto compõe-se de...meninos, o que é isso???", e o barulho, os apupos, gritos, brigas. E assim se passa os 50 minutos de aula.
Às 17 hs.: Cibalena.
Morta!
Na bolsa: o transporte. Ida. Volta. Um drops do ano passado. Chupa. É de uva.
E assim se passam 200 dias letivos.
Adoro Madame Sukarno, uma bonequinha de porcelana da Indonésia, sempre impecável na sua maquiagem trabalhada no pancake, uma "alva neve" do society internacional, do jet set, do grand monde.
Dewi era arroz - moti? - de festa, estava sempre rodando o mundo, nas capas de revistas e veio algumas vezes ao Brasil. Aqui ela está sendo entrevistada por Ibrahim Sued para um programa que ele tinha na TV , a foto é do livro "Aprenda a Receber - Etiqueta", escrito por Ibrahim, edição de 1977.
Fotos de Luan Santos para o Correio da Bahia.
Devota de Iemanjá em fotos de Edgar Azevedo para o Bahia Notícias.
As fotos do Bocão News são de Vagner Souza e Paulo Macedo.
Foto de Raphael Muller para o jornal A Tarde.
Foto de Luan Santos - Correio da Bahia.
E Salve Iemanjá, a Mãe d'Água!
Uma das muitas crônicas de Danuza que li e guardei. Acho que esta, sem a data de publicação, é de quando ela escrevia para a Folha de São Paulo. É um texto ótimo, direto: de um flagrante do cotidiano do Rio ou de qualquer outra cidade, ela parte para altas indagações e reflexões sobre a nossa vida e a vida daqueles que inspirou a crônica. E arremata de maneira brilhante.
Atual, o texto poderia ser muito bem deste ano, 2019.
A ilustração é linda. Será do chileno Alvaro Tapia Hidalgo?
Irmã Dulce, nossa lindinha, nossa santinha da Bahia.
Foto recortada de jornal nos meus guardados.
O Correio da Bahia está fazendo 40 anos e os arquivos fotográficos do jornal estão sendo revirados, revisitados e motivo para matérias ótimas que contam um bom período da nossa cidade, com as suas transformações para melhor ou para pior, seja no que se refere ao patrimônio arquitetônico - o que caiu, o que não caiu - o que se levantou, o que foi pelos ares, o que o fogo queimou, os costumes e hábitos que se mantiveram, mudaram ou acabaram etc.etc.
Esta foto é do Pelourinho em 1993, antes da grande reforma iniciada no bairro quando ele foi reformado, "revitalizado" e a população local foi realocada, sumiu.
Nos anos 70 e 80 eu e meus amigos da época íamos muito ao Pelourinho que tinha bares ótimos, como a Galeria 13 e nunca, nunca, nenhum de nós foi agredido pelas pessoas pobres que habitavam lá. Hoje, "revitalizado" quando eu tenho que passar por lá, passo ligado de olhos bem abertos, pois o Pelourinho virou um lugar visado por malandros que vivem atrás dos turistas para roubá-los. Não quero ser confundido com turista... mas, das últimas vezes em que fui lá, notei uma melhora porque há muito policiamento.
Mas nem queria falar sobre isso. Queria mesmo era mostrar esse lindo casarão de esquina e as casas geminadas que se estendiam ao longo das ruas e que lá se mantiveram por séculos porque foram habitadas pelas pessoas pobres que lá viviam. A "revitalização" só se deu, na verdade, porque eles eram usados, mantidos em pé bem ou mal, de uma forma ou outra, por aquelas pessoas pobres: eram habitados, enfim.
O Pelourinho nas duas décadas em que lá andei com mais frequência era uma delícia, mesmo com a pobreza da população local.
Hoje eu credito ao crack a violência que impera em todos os bairros de Salvador e o Pelourinho vai junto nessa onda e, principalmente, por ser ou ter virado um centro de turismo onde os visitantes vão com um pouco mais de dinheiro no bolso.
Mas, viva o Pelourinho! É lindo aquilo ali, uma joia que precisa sempre ser cuidada, polida.
Srta. Mutel, uma beleza dedilhando!!!
Srta. Arethusa, a graça, elegância e beleza aliadas.
Srta. Ely, não conteve a sua alegria para a objetiva, satisfeita que estava no grande dia da sua formatura.
Essa matéria na revista Vida Doméstica de março de 1954 sempre me enlouqueceu, me deu ataques de riso quando eu vi e li e fiquei estupefato, espantadíssimo com o número imenso que havia de mocinhas - e devia ter mocinhos também - que aprendiam a tocar o acordeão - instrumento da moda nos anos 50.
A foto, uma "vista parcial", KKKKK, com uma multidão de mocinhas recém formadas em professoras de acordeão é uma loucura!!! A entrada do Teatro Municipal do Rio, a escadaria repleta, uma multidão querendo ficar na moda!!
João Donato começou a sua carreira tocando o instrumento, tem disco gravado como acordeonista, um disco lindo por sinal, e acompanhava muitos cantores com o seu acordeão.
Quando eu era menino sempre tinha umas festinhas em que surgia uma menininha ou um menininho que tocavam o acordeão. Era uma maravilha.... "a filha e o filho de fulano de tal tocou na festa, foi uma beleza..."
Infelizmente essa febre pelo instrumento passou. Por mim continuava...
O acordeão ficou restrito às músicas de São João, músicas da época junina. Mas tem um compositor, cantor e instrumentista moderno - e ótimo - que se acompanha com o acordeão, Marcelo Jeneci, que é um barato.
Tem os acordeonistas franceses antigos que são ótimos, o instrumento que era a cara de Paris. Sous le ciel de Paris...
Amo essa matéria, Acordeão, Instrumento da Moda. Há anos queria colocar aqui.
E a professora, Sra Maria Amália Tristão Tote !!! Deveria jogar duríssimo com as alunas.
-Meninas, toquem com vigor, estão desafinando horrores, preguiçosas, toquem como vigor, já disse!!!
Vista parcial...imagine se fosse a total. Seria o Municipal inteiro! KKKKKK
Depois do último post com a bela Carmen Mayrink Veiga, aqui vai a imagem de outra bela e elegantérrima, d. Yara Andrade que, acho, foi a grande amiga de Carmen.
A foto é da coluna de Hildegard Angel - só podia ser de lá - quando a jornalista ainda escrevia para o Globo, 1984.
E eis que de um pacote surge uma imagem de Carmen, meio estragadinha, marcada, mas que, acho eu, não está entre as 236 postagens que fiz aqui no blog da mais elegante e bela mulher brasileira.
A foto é da revista Caras e, suponho, ser de um evento na Casa Julieta de Serpa no início dos anos 2000.
Carmen Mayrink Veiga, para variar, estava o luxo e a beleza de sempre.
(um leitor aqui do blog escreveu para esclarecer: a festa foi na casa de d. Lily Marinho que comemorava os 200 anos da vinda da Família Real para o Brasil.
O acontecimento foi matéria da revista Caras de março de 2008.
Aproveitei e "arrastei" do Google a mesma foto de Carmen Mayrink Veiga que escaneei dos meus guardados, mas que está meio estragadinha pelo tempo e uma foto da anfitriã d. Lily na ocasião da festa quando recebeu seus convidados na linda casa do Cosme Velho nos bons tempos do velho Rio de Janeiro).
Dona Lily de Carvalho, maravilhosa, inteligente e elegante mulher.
Bolo Carro, criação e execução de d. Cândida Lacerda. Mais uma bonita e imaginativa criação da artista/confeiteira que tentou com chegar o mais próximo possível o modelo deste carro anos 30/40, por aí.
Este bolo confeitado parece-me que foi feito moldado na própria massa do bolo que, recortada e coberta com a glace foi sendo dada as formas arredondadas do carro antigo. Era todo comestível, portanto, pois não tinha armação. Note-se que na parte de dentro tem um bonequinho fazendo o motorista.
Uma beleza este bolo carro confeitado que deve ter sido para aniversário de menino. E deve ter dado um trabalhão a d. Cândida! Mas, o sucesso junto à petizada, na hora do parabéns, deve ter recompensado a canseira.
Esses trabalhos das confeiteiras antigas, ingênuos, que usavam poucos recursos e difíceis de trabalhar - se a glace não dava ponto era uma tragédia!!! - pra mim não se comparam com bolos confeitados de hoje, perfeitos demais, frios, e a cobertura parece uma borracha. Os antigos têm as maravilhosas imperfeições do trabalho todo feito a mão. E tem mais: eram uma delícia!
Abaixo dois carros americanos "último tipo" sonho dos meninos e concretizado em açúcar por d. Cândida Lacerda naquele antigo aniversário.
O bolo confeitado acima foi obra de d.Cândida Lacerda, que não conhecia, mas que deve ter sido uma boleira, artista e confeiteira das boas, de mão cheia, daqui de Salvador, mestra na arte de fazer bolos, arquiteta de sonhos doces e confeitados que faziam a alegria da petizada, das debutantes e dos mais velhos em bodas.
D. Cândida deveria seguir os ensinamentos da boleira mor do Brasil, Dolores Botafogo, que publicou inúmeros livros - muitos dos quais já postei aqui - que fazia modelos incríveis e variados sobre diversos temas e todos eles serviam para serem cobertos da glace tradicional e mais deliciosa feita de açúcar, clara de ovos e limão como se fazia naquela época.
Usava-se o recurso das armações estruturadas em madeira leve que depois eram recobertas da glace branca ou coloridas com aqueles tons lindos e exagerados das antigas anilinas e sobre as quais se colocavam os vários enfeites, os padrões de bicos decorativos de confeitar - perlê, pitanga - kkkkk e mais as rosinhas, flores, bolinhas peroladas, prateadas, douradas, pássaros, bonequinhos de cera e etc. e etc. Uma riqueza total!
Eu fui a vários aniversários que tinham esses bolos e eu achava uma maravilha!!! Ao vê-lo em cima da mesa, ao centro, eu fazia o meu momento catatônico, fixando o meu olhar de petiz sobre aquele bolo/sonho tornado realidade e "viajava na glace" kkkk
Depois dos parabéns - naquelas datas queridas - ele era repartido e ficava capenga, destruído, sem a forma original, as estruturas de madeira expostas... O sonho acabava, mas, comê-lo era uma obrigação e delícia e depois lá ficava ele sem a forma original e a parte comestível já nas barriguinhas dos satisfeitos convidados.
Este bolo Cine Jandaia me deu uma tristeza! Um cinema que serviu para tema de festa, motivo para bolo confeitado e que só trazia alegria para a nossa cidade, hoje está como nas fotos abaixo que fiz ( menos a primeira em zoom). Outrora um luxo, o cinema que era teatro também - Carmen Miranda se apresentou lá em 1932 (com meus avós paternos na plateia), hoje é o retrato desgraçado do abandono.
Propriedade privada, depois de muita luta o governo comprou, tombou e, hoje, ele está lá esperando ruir de vez, desabar.
Se se fizesse um Bolo Cine Jandaia hoje, depois de pronto, dariam-se vários socos e amassos para adequá-lo ao seu estado de decadência atual.
Esta foto do bolo de d. Cândida saiu em uma matéria da revista Muito do Jornal A Tarde de novembro de 2008 que tratava do assunto bolo e de confeiteiras daqui de Salvador. Tem uma outra foto de época de um bolo de d. Cândida, o Bolo Carro - super bonito - que depois posto aqui. Hoje fico no bolo Cine Jandaia lindamente confeitado reproduzindo o seu antigo esplendor e nas fotos abaixo que mostra as suas ruínas, o seu tristíssimo final.
(Essas duas fotos do interior do tenebroso cine fantasma/Jandaia são do Google.)