sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Artesanato Devoto




Imagem de Nossa Senhora de Pompéia colada em papelão e emoldurada com dois tipos de papel de presente. A virola, uma linhazinha de bordar.
O papel do nicho, tipo cartão marmoreado, eu nunca mais vi vendendo. Sumiu. Era caro!!


 Muito provavelmente esses dois trabalhos "artísticos" de montagem com santinhos foi feito por alguma beata, ou quem sabe, por alguma creança numa época em que havia mais tempo para se dedicar a esses afazeres, pois o tempo, antigamente, custava a passar. 
Deveria ser bom passatempo recortar uma figurinha e colar, fazer uma dobradura e... zás!, criar um nicho, colar uma outra e fazer um pequeno quadrinho para colocar na parede ou para presentear um amiguinho, uma amiguinha. Dá netinha para a vovó... 
Coisas do tempo quando havia mais ingenuidade, candura, delicadeza, uma inocência qualquer.
Comprei essas lembrancinhas em BH e trouxe pra BA, desloquei-as no espaço e no tempo e dei elas um novo suspiro.
Derradeiro?



terça-feira, 11 de outubro de 2016

Passeio Antiguinho . Toc, Toc na Misericórdia



 Quando passo pela rua da Misericórdia nunca deixo de lembrar de d. Isabel.


Na  portinha verde ficava a sala onde dona Isabel Loureiro datilografava com esmero e perfeição trabalhos pra deus e o mundo na Bahia. Quem passava pela rua da Misericórdia ou descia a ladeira do mesmo nome, não deixava de ouvir o toc, toc, interminável da máquina de dona Isabel, aliás, ela era, ou foi, uma máquina! Trabalhou durante anos ali na sua portinha, acho que só saiu de lá pra morrer.
Uma vez eu entrei na portinha, mas não me lembro da figura de d. Isabel. Um amigo meu se lembra e me disse que ela trabalhava "pronta", bem vestida e com joias...coisas d'antanho. Coisas dos anos 60 e 70.
Dona Isabel morava na Ladeira das Hortas que liga a Barroquinha ao Largo de São Bento, bem perto da Ladeira da Misericórdia. Na sala da casa dela, segundo o meu amigo,  
tinha uma santa Rita imensa! 
Pra viver a vida toda a datilografar só sendo devoto da santa da paciência.





Toc, toc na Misericórdia.

domingo, 9 de outubro de 2016

Um Desfile de Modas em 1959: Adlmüller e Helma von Pach


Gosto muito da revista National Geographic, principalmente a edição americana que tem matérias - reportagens - de textos enormes com fotos e ilustrações simplesmente sensacionais.
Sempre que encontro em sebos os exemplares antigos, eu compro. Fico a olhar e a imaginar a importância que tinha a mídia impressa para o imenso número de leitores. O mundo estava ali, nas páginas super coloridas da revista que era, na verdade, uma pequena enciclopédia, pois havia nela de um tudo, vários assuntos a interesses variados. Hoje a internet é a revista.
Fico imaginando a produção de uma revista como esta, a loucura que não seria a edição de um número mensal.
Tenho muitas National Geographic americanas, tenho as brasileiras que também eram boas, as atuais não sei, não compro e não me interessam mais. Gosto das velhas. Até os anos 80 tinha coisas ótimas.
Recentemente comprei dez números de 1959 e fiquei doido com o material. Adoro os anos 50, moda, móveis, arquitetura. Tenho várias também dos anos 20 e 30. É tanta coisa boa que posso escanear, quem sabe, na próxima encarnação.
Dessas revistas adoro as fotos casuais, fotos de pessoas vivendo e frequentando os lugares que na época tinham evidência, fotos de pessoas que parece que tiveram uma grande importância e hoje são "remotíssimas batucadas". Como esta foto de um desfile de modas em Viena. Nunca ouvi falar, nem nunca havia lido nada sobre Helma von Pach, a baronesa - austríaca?- que virou maneca e de Adlmüller, Fred Adlmüller, figurinista alemão que fez carreira na Áustria. Aliás, a foto em questão está em uma matéria sobre a Áustria de mais de 10 páginas! Exageros adoráveis da National
A foto é bárbara, um momento parado, um desfile perdido nos anos 50, de uma baronesa/modelo esquecida usando um vestido de um figurinista também esquecido em uma cena muda...o salão do palácio com a pequena assistência de mulheres chiques. Uma olha um álbum com croquis, uma outra olha pensativa para o modelo, outras atentas, vibrantes. Um homem aprecia, avalia. 
Será Adlmüller o homem sentadinho vendo Helma von Pach passar com a sua criação?



E como fundo musical para este "mundo em desfile", June Christy, a super cool, em cena de...1959!


sábado, 8 de outubro de 2016

Quatro Propagandas do Bank Of America . 1959





Belíssimas propagandas do Banco da América, todas em revistas National Geographic - edição americana -  de 1959.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Carta de 1932




Ontem, lendo um livro, esta velha carta me caiu às mãos, ou melhor, no meu colo. Às vezes compro livros que me interessam sobretudo pelo " recheio", "o de dentro" : cartinhas, bilhetes, fotos, santinhos, enfim, as recordações alheias.
Abri a cartinha, li e senti o drama pessoal que o Sr Eduardo estava vivendo na época: com a Revolução Paulista de 32 a sua família foi mandada para longe e, agora, esperava o seu retorno. As dificuldades financeiras, o salário pouco. O drama de Seu Eduardo.
À noite fui ao cinema e, na livraria, comprei um livro de crônicas reunidas de Guilherme de Almeida do período de 1927/ 28. Na apresentação, o fato de que o escritor também durante a revolução de 32 ter sido preso e se exilado na Europa - Portugal - ficando por lá alguns meses.
Drama de Guilherme de Almeida. 
Drama na cartinha/crônica de Seu Eduardo.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Um Cristo Morto e o Processo de Limpeza de Sujidades

 Este ano comprei alguns santos - Nossa Senhora do Rosário, São José, Santo Antonio e este Crucificado. A compra se deu por uma já conhecida estória: senhora devota falecida e filhos de outra religião que não querem conservar mais os santos em casa, querem se desfazer e o fazem o mais rápido possível. Me ofereceram as imagens que estavam bem conservadas, o preço estava ótimo e comprei. 
O Cristo estava perfeito, carnação original, sem retoques ou repinturas, nenhuma parte faltante, bem consolidado e com todos os adereços, ponteiras, resplendor, a cruz e a peanha de jacarandá em perfeita ordem. O problema era a sujeira em que a imagem se encontrava, completamente escurecida, sujo acumulado durante muitos anos - ele deveria estar em cima de algum móvel recebendo poeira que, misturada à umidade daqui de Salvador foi se prendendo à escultura como uma tinta escura. Até um "ovo" eclodido de barata estava preso ao cabelo!
Resolvi eu mesmo fazer a limpeza. Inicialmente passei cotonete embebido em solvente, mas não saiu nada, então fiz com palitos pequenos cotonetes com palha de aço macia- bombril- e, assim, embebendo no solvente fui passando com todo cuidado pela imagem do Cristo. Fiz este trabalho em 4 dias - início de junho - e não foi fácil! Só um taurino e devoto de Santa Rita, a da paciência, para encetar, ter pique para fazer uma empreitada dessa.
Na faculdade fiz dois semestres de restauração e fiz também um curso particular. Reli as apostilas, vi o lance do bombril com o solvente e lá fui eu! Só não tive coragem de limpar o rosto, zona muito delicada...passei um pouquinho de solvente no nariz e pronto.
O resultado foi ótimo, não interferi em nada, não arranquei nenhuma escara, nenhuma gota de sangue do Cristo, fui passeando pelo corpo dele com calma e me dei por satisfeito.
Para não acontecer de o Cristo voltar a ser depósito de poeira, cocô de mosca, de barata, tornar a ter aquela pátina de sujidade, mandei fazer uma caixa, tipo aquário e encaixei, coloquei o Cristo lá dentro. Ideal seria um nicho maravilhoso, mas não tenho.
Mas ele agora está em minha sala, no alto de um móvel e ficou ótimo.
E agora vejam como a imagem estava, muito suja e como agora ela está, limpinha, asseada, um brinco. Só o rosto que está e vai continuar assim, escuro. 
É o meu Cristo da cara preta.













Uma ametista no resplendor.












O perisônio é muito bonito, com estofamento em ouro, bem trabalhado e com muito movimento. Será o Cristo do século XVIII ou início do XIX? A escultura do Cristo é muito bonita, com proporções perfeitas. É uma imagem erudita e feita por um excelente escultor. É realmente muito bonita e estou feliz abrigando em minha casa este crucificado que já pertenceu a uma devota que o conservou durante muitos anos e que agora veio parar em minhas mãos, agora me pertence e guarda a minha casa.