quinta-feira, 6 de outubro de 2016
Carta de 1932
Ontem, lendo um livro, esta velha carta me caiu às mãos, ou melhor, no meu colo. Às vezes compro livros que me interessam sobretudo pelo " recheio", "o de dentro" : cartinhas, bilhetes, fotos, santinhos, enfim, as recordações alheias.
Abri a cartinha, li e senti o drama pessoal que o Sr Eduardo estava vivendo na época: com a Revolução Paulista de 32 a sua família foi mandada para longe e, agora, esperava o seu retorno. As dificuldades financeiras, o salário pouco. O drama de Seu Eduardo.
À noite fui ao cinema e, na livraria, comprei um livro de crônicas reunidas de Guilherme de Almeida do período de 1927/ 28. Na apresentação, o fato de que o escritor também durante a revolução de 32 ter sido preso e se exilado na Europa - Portugal - ficando por lá alguns meses.
Drama de Guilherme de Almeida.
Drama na cartinha/crônica de Seu Eduardo.
quarta-feira, 5 de outubro de 2016
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
Um Cristo Morto e o Processo de Limpeza de Sujidades
Este ano comprei alguns santos - Nossa Senhora do Rosário, São José, Santo Antonio e este Crucificado. A compra se deu por uma já conhecida estória: senhora devota falecida e filhos de outra religião que não querem conservar mais os santos em casa, querem se desfazer e o fazem o mais rápido possível. Me ofereceram as imagens que estavam bem conservadas, o preço estava ótimo e comprei.
O Cristo estava perfeito, carnação original, sem retoques ou repinturas, nenhuma parte faltante, bem consolidado e com todos os adereços, ponteiras, resplendor, a cruz e a peanha de jacarandá em perfeita ordem. O problema era a sujeira em que a imagem se encontrava, completamente escurecida, sujo acumulado durante muitos anos - ele deveria estar em cima de algum móvel recebendo poeira que, misturada à umidade daqui de Salvador foi se prendendo à escultura como uma tinta escura. Até um "ovo" eclodido de barata estava preso ao cabelo!
Resolvi eu mesmo fazer a limpeza. Inicialmente passei cotonete embebido em solvente, mas não saiu nada, então fiz com palitos pequenos cotonetes com palha de aço macia- bombril- e, assim, embebendo no solvente fui passando com todo cuidado pela imagem do Cristo. Fiz este trabalho em 4 dias - início de junho - e não foi fácil! Só um taurino e devoto de Santa Rita, a da paciência, para encetar, ter pique para fazer uma empreitada dessa.
Na faculdade fiz dois semestres de restauração e fiz também um curso particular. Reli as apostilas, vi o lance do bombril com o solvente e lá fui eu! Só não tive coragem de limpar o rosto, zona muito delicada...passei um pouquinho de solvente no nariz e pronto.
O resultado foi ótimo, não interferi em nada, não arranquei nenhuma escara, nenhuma gota de sangue do Cristo, fui passeando pelo corpo dele com calma e me dei por satisfeito.
Para não acontecer de o Cristo voltar a ser depósito de poeira, cocô de mosca, de barata, tornar a ter aquela pátina de sujidade, mandei fazer uma caixa, tipo aquário e encaixei, coloquei o Cristo lá dentro. Ideal seria um nicho maravilhoso, mas não tenho.
Mas ele agora está em minha sala, no alto de um móvel e ficou ótimo.
E agora vejam como a imagem estava, muito suja e como agora ela está, limpinha, asseada, um brinco. Só o rosto que está e vai continuar assim, escuro.
É o meu Cristo da cara preta.
Uma ametista no resplendor.
O perisônio é muito bonito, com estofamento em ouro, bem trabalhado e com muito movimento. Será o Cristo do século XVIII ou início do XIX? A escultura do Cristo é muito bonita, com proporções perfeitas. É uma imagem erudita e feita por um excelente escultor. É realmente muito bonita e estou feliz abrigando em minha casa este crucificado que já pertenceu a uma devota que o conservou durante muitos anos e que agora veio parar em minhas mãos, agora me pertence e guarda a minha casa.
O Cristo estava perfeito, carnação original, sem retoques ou repinturas, nenhuma parte faltante, bem consolidado e com todos os adereços, ponteiras, resplendor, a cruz e a peanha de jacarandá em perfeita ordem. O problema era a sujeira em que a imagem se encontrava, completamente escurecida, sujo acumulado durante muitos anos - ele deveria estar em cima de algum móvel recebendo poeira que, misturada à umidade daqui de Salvador foi se prendendo à escultura como uma tinta escura. Até um "ovo" eclodido de barata estava preso ao cabelo!
Resolvi eu mesmo fazer a limpeza. Inicialmente passei cotonete embebido em solvente, mas não saiu nada, então fiz com palitos pequenos cotonetes com palha de aço macia- bombril- e, assim, embebendo no solvente fui passando com todo cuidado pela imagem do Cristo. Fiz este trabalho em 4 dias - início de junho - e não foi fácil! Só um taurino e devoto de Santa Rita, a da paciência, para encetar, ter pique para fazer uma empreitada dessa.
Na faculdade fiz dois semestres de restauração e fiz também um curso particular. Reli as apostilas, vi o lance do bombril com o solvente e lá fui eu! Só não tive coragem de limpar o rosto, zona muito delicada...passei um pouquinho de solvente no nariz e pronto.
O resultado foi ótimo, não interferi em nada, não arranquei nenhuma escara, nenhuma gota de sangue do Cristo, fui passeando pelo corpo dele com calma e me dei por satisfeito.
Para não acontecer de o Cristo voltar a ser depósito de poeira, cocô de mosca, de barata, tornar a ter aquela pátina de sujidade, mandei fazer uma caixa, tipo aquário e encaixei, coloquei o Cristo lá dentro. Ideal seria um nicho maravilhoso, mas não tenho.
Mas ele agora está em minha sala, no alto de um móvel e ficou ótimo.
E agora vejam como a imagem estava, muito suja e como agora ela está, limpinha, asseada, um brinco. Só o rosto que está e vai continuar assim, escuro.
É o meu Cristo da cara preta.
Uma ametista no resplendor.
O perisônio é muito bonito, com estofamento em ouro, bem trabalhado e com muito movimento. Será o Cristo do século XVIII ou início do XIX? A escultura do Cristo é muito bonita, com proporções perfeitas. É uma imagem erudita e feita por um excelente escultor. É realmente muito bonita e estou feliz abrigando em minha casa este crucificado que já pertenceu a uma devota que o conservou durante muitos anos e que agora veio parar em minhas mãos, agora me pertence e guarda a minha casa.
sábado, 1 de outubro de 2016
Santa Terezinha 2016
E nas ruas de Salvador, a devota de Santa Terezinha trajando a sua boa camiseta com a estampa da santa. Adorei!!!
Salve Santa Terezinha!!!!!!
Ano passado eu estava na missa da Igreja de Santa Terezinha em Botafogo, no Rio. Igreja linda, déco.
"Rosas, rosas, rosas, rosas mimosas são rosas de ti..."
Santa Terezinha era uma devoção de minha bisa Nini, de minha avó Ascenção, é devoção de minha mãe, de tias, de parentes, de amigos, minha, de tantos e tantas como é desta senhora que fotografei em um ponto de ônibus de Salvador.
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