quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Igreja de Nossa Senhora do Pilar e Capela de Santa Luzia


 Hoje eu fui à Igreja do Pilar, fui na Fonte de Santa Luzia, lavar os olhos, pegar a água santa e milagrosa em garrafinhas para levar para casa e lavei os meus ágrafes, medalhinhas antigas feitas de chapinhas finas de prata. Há tempo que estava querendo fazer essa visita, mas sempre protelava...o lugar deserto assusta, mas foi uma surpresa, o local estava uma paz só, tranquilo, a igreja linda e toda restaurada, conservada, limpa, como se diz, uma beleza!!!!
O dia estava aquele bem típico do verão, quente, como dizia Nelson Rodrigues, "de rachar catedrais", mas estava lindo, claro, um silêncio em volta, uma delícia.
Rezei, lavei os olhos, colhi a água e fui ver a igreja, o interior, as imagens, o cemitério restaurado e aproveitei para fotografar, e muito, tudo aquilo que me chamou a atenção.

O cemitério.

A nave neoclássica da igreja.

Adornos no mármore que adoro!


E lá fora, "o sol de rachar catedrais"!!!!!!!!!




Azulejos  azuis em todas as paredes da igreja que é do século XIX.




Adorno! Adoro!

Entrada para o cemitério que estava fechado, fotos do interior só pelo portão. Sem problemas!

Jazigo estilo "sopeira" com sua lápide.
O interior do cemitério que há anos carecia de restauro e agora está assim, uma beleza!!!!

Agora quem reside ali são os pombos, razão pala qual o local vive sempre fechado...os funcionários limpam os cocôs dos pombos e logo logo esta tudo sujo novamente. E as fezes dos ombos são um perigo!!!!!!





Jazigos perpétuos dentro da nave da igreja e suas lápides que acho super interessantes. Adoro fotografar lápides de igrejas!


Jazigos com suas lápides.


A pia batismal na entrada da igreja, bela!!!!


O confessionário! Adorei, adorei esse confessionário tão leve, tão simples e lindo. E o banco!!!! Totalmente lindo! Vontade de mandar fazer um igual. Amei!!!!!!

Que banqueta linda!!!!!!!!!!

Lápide!
Sacristia com a antiga pia em mármore de Lioz, acho, em desuso. Linda!

Um adorno que está na parede, não sei se era dali ou se aproveitaram e, na restauração o colocaram ali. Parece que talvez fosse de um outro lugar e testá ali como um adorno de parede. É muito bonita essa forma em torcidos de madeira em dourado.


Um outro adorno de madeira dourada que colocaram na parede.


O Santo Antonio da sacristia.


Lojinha da igreja com vários itens à venda.

Muitas garrafinhas plásticas para o fiel comprar e encher com a água milagrosa.

A pia da sacristia.

Ao fundo a capelinha dedicada a Santa Luzia, antes, o sol, aquele, o de "rachar catedrais".


O interior da igreja com os nichos laterais com diversos santos. Logo na entrada, à esquerda, o altar de Santa Luzia. Dizem que quando essa imagem chegou a água da fonte começou a brotar nas rochas que fica atrás da igreja. Assim me falou uma zeladora da igreja que estava lá. O nome dela: Luzia.

A banqueta linda!!!!!!






Santo Antonio em seu altar.


São José.
São Sebastião.

Jesus Ressuscitado.

Nossa Senhora da Piedade.

São Gonçalo do Amarante. Imagem rara, há tão poucas aqui em Salvador!


São Miguel Arcanjo.










Um outro adorno de madeira em douramento encimando portas.




Os azulejos, uma parede bem extensa que leva à sacristia.






A capela de Santa Luzia onde há uma torneira que corre água sem parar. Um senhor estava lá nesse momento enchendo as suas garrafinhas de água milagrosa.

Parte da rocha preservada onde há muitas bicas de água escorrendo sem parar...


O interior da capela de Santa Luzia e a água, a água milagrosa de Santa Luzia!



quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Ninette Van Vüchelen . Uma Paisagem Brasileira




Mais uma obra da artista têxtil Ninette Van Vüchelen, mestra nos trabalhos do corte e da costura - coisa importantíssima, pois dá base e técnica - dos figurinos para teatro, da estamparia e também dos trabalhos em bordado, bordados de aplicação e da difícil arte que é o trabalho em patchwork, de dar forma ao desenho planejado através dos tecidos, dos retalhos escolhidos com precisão para dar corpo ao plano da obra.

Não é um trabalho fácil, pelo contrário! Envolve desenho, alinhavos, colagens dos recortes - talvez - a aplicação dos tecidos, os bordados para aplicação - o ponto cheio que não deixa o tecido desfiar - e os pontos de bordados variados para dar os detalhes e texturas por cima dos tecidos já fixados em uma base também de tecido.

Nesta obra acima, Ninette Van Vüchelen se deixou inspirar pela paisagem brasileira na exuberância das cores da mata com seus vários tons de verdes, pela claridade que vem de um horizonte ensolarado refletindo sua luz na profusão desordenada das plantas e árvores, sobre o rio de águas límpidas que corre tranquilo em um Brasil antigo, um Brasil que já se vai, já está desaparecendo com o desmatamento enlouquecido dos últimos anos.

Três figuras humanas estão no centro da paisagem, um homem e duas mulheres. São habitantes e trabalhadores da área rural, lavadeiras com suas trouxas de roupas para lavar no rio, todos eles integrados harmoniosamente com o ambiente.

Impressiona a escolha dos tecidos, para dar forma ao que a artista pretendeu: reproduzir com tecidos em variados formatos, tamanhos e cores e  transformá-los em paisagem viva de plantas pequeninas, às frondosas árvores com suas copas de muitos matizes, as bananeiras, as samambaias, o emaranhado de folhas onde transitam os anônimos brasileiros em seu cotidiano simples.

Foi essa luz e essa paisagem que encantaram o cenógrafo Tullio Costa que trouxe para morar com ele aqui no Brasil a sua esposa Ninette Van Vüchelen que, junto com o marido, se tornaram brasileiros de coração. 
 


Um outro detalhe importante se refere à forma ou maneira em que a artista Ninette dava ao acabamento da obra que recebia uma bainha de 3 centímetros, talvez menos, por toda a volta depois de pronta. Para esticar o panô ou "panneau" era preso na parte de cima e embaixo, um pedaço de madeira na qual ela enrolava o tecido que havia de sobra, o que dava a mesma medida da bainha das laterais do trabalho. Assim ele ficava estirado sem esticar para não esgarçar o tecido que é um material frágil. Finalizando duas placas de metal, parece-me, foram colocadas dando acabamento, sendo que a de cima tem preso um cordão que suporta o panô  na parede.

E tudo terminava em um trabalho perfeito, com um acabamento simples e primoroso. 

Ninette Van Vüchelen tinha talento, engenho, arte e paciência para executar tantos trabalhos contidos em uma única obra.


domingo, 7 de janeiro de 2024

Ninette Van Vüchelen . Dois Trabalhos sobre Tecidos e Figurinos de Teatro


 Desde aquele dia em que achei em plena praça de Salvador/Bahia um antigo catálogo da exposição Retalhos Paulistanos ( blog Antiguinho desde 30/12/2018) com obras de uma artista que até então eu nunca ouvira falar, comecei a procurar mais sobre o trabalho que ela realizava, sobre a sua carreira etc. Tudo me era desconhecido. Só o que eu sabia era o que estava escrito na apresentação do catálogo. E ficou por aí.

Um dia recebi uma mensagem aqui no blog do neto de d. Ninette e depois o seu filho Andrea Costa escreveu agradecendo a postagem e a lembrança da sua mãe. À partir daí fiz contato com o seu filho, que me contou que num momento de melancolia e de recordações da mãe dele, entrou no Google e encontrou o meu blog Antiguinho e a postagem sobre a exposição Retalhos Paulistanos. Foi uma surpresa, um alento, um contentamento.

Recentemente, Costa enviou-me dois trabalhos feitos por Ninette Van Vüchelen, trabalhos lindíssimos, incríveis, cheios de detalhes que ele chamou inicialmente de tapeçarias, mas depois corrigiu para Patchwork, como d. Ninette denominava os seus trabalhos. E mais uma vez essas duas obras de Ninette Van Vüchelen me encantaram, caí de 4!

A primeira obra é um cavaleiro medieval que d. Ninette fez para Andrea Costa quando dos seus 18 anos, um presente, um mimo delicado, um carinho para o filho. O Cavaleiro das Cruzadas está reproduzido nos retalhos de tecidos diferentes que se juntam formando a imagem sobre um fundo neutro também em tecido. O trabalho tem também detalhes em bordados à mão e á máquina. A aplicação dos tecidos são seguras pelo ponto cheio que dá firmeza e não deixa as bordas desfiarem. A parte de cima da roupa ela usou tecidos prata, que lembram os metalizados de proteção ao corpo como se usava. Na parte de baixo, aplicações de dragões e flores de lis, e muitos tecidos estampados e dourados compõem a roupa do cavaleiro. Uma rosa enorme, vermelha, dá o tom poético. Nos braços cruzados uma bandeira solta ao vento. Arrematando tudo uma passamanaria emoldura o trabalho.

A rosa vermelha que pensei ser um complemento poético e estético para dar uma suavidade à figura do cavaleiro medieval, na verdade, ela foi ali colocada por um pedido de Andrea Costa, filho de d. Ninette, para homenagear a sua babá, a sua segunda mãe, como assim ele se refere à d. Rosa Maria de Jesus, que foi morar com a família quando ele tinha apenas dois anos de idade e lá permaneceu durante 30 anos!!! 

Mas esse cavaleiro medieval tem muita coisa para pra ser esmiuçada, muitos detalhes para ver, rever, descrever é difícil o quebra cabeça de tecidos formando uma imagem. É pra ficar olhando e descobrir mais nuances e detalhes. E detalhes!

 



Abaixo, um outro trabalho, de 1984, que pertence à família de d. Ninette. O interior de um palácio medieval, onde ela retrata as alas do palácio e as atividades que ocorriam no interior e os personagens que circulavam por ele. Tem os nobre e tem os empregados, cada qual na sua função diária.
Aqui, o patchwork é um show na união dos tecidos, na escolha das cores, nos muitos bordados á mão e à máquina. É um trabalho de mestre, uma perfeição, uma riqueza. Inútil descrevê-lo, o bom é olhar e viajar pelo universo daquele instante medieval europeu flagrado pelo olhar e executado pelas mãos da grande artista dos tecidos, do patchwork e dos figurinos teatrais também, Ninnette Van Vüchelen, belga de nascimento, mas que viveu uma grande parte de sua vida no Brasil, casada com o cenógrafo italiano Tullio Costa, aqui radicado desde os anos 40. Tiveram um filho - Andrea Costa -  nascido no Brasil.  Ninette Van Vüchelen trabalhou em grandes companhias teatrais na criação de figurinos e o seu marido, Tullio Costa, nos cenários. A contribuição dos dois para as artes cênicas brasileiras é inestimável e importantíssima.
Seria muito bom se fazer exposições sobre os trabalhos dos dois artistas, reavivar a memória de Ninette e Tullio Costa.
Os trabalhos de figurinos de d. Ninette muitos estão preservados, como mostro à baixo, mas os trabalhos em tela feitos em retalhos, onde andarão? Quem se interessar por fazer uma exposição deles têm que fazer um trabalho de detetive, de grande pesquisa. Onde andarão as obras em tecidos de Ninette Van Vüchelen? Trabalhos em tecido são extremamente frageis, se não tiverem manutenção e cuidados, fatalmente viram trapos.
Pelo que consta nos dados biográficos da artista no Itaú Cultural, sabe-se que ela fez quatro exposições individuais, 1980, 81, 82 e 88 e, no exterior, fez outras tantas.
Mão à obra a quem queira resgatar e apresentar para o público atual essa obra autêntica, sofisticada, super elaborada, criativa, requintada de Ninette Van Vüchelen que precisa ser conhecida pelas novas gerações, tanto o público em geral quanto para àqueles ligados às artes plásticas, os artistas e profissionais da área de figurino para teatro e para os admiradores e praticantes da difícil e antiga arte do trabalho têxtil, do bordado, do bordado de aplicação, o patchwork.








Abaixo, foto de Ninette Van Vüchelen e Tullio Costa quando se conheceram em 1964.


E a última foto do casal Tullio Costa e Ninette Van Vüchelen juntos, feita na Grécia nos anos 90.






Abaixo, catálogo de exposição sobre figurinos de teatro com seis trabalhos de Ninette Van Vüchelen para algumas peças encenadas no Brasil.




Essa reprodução do catálogo "Figurinos, Memória dos 50 Anos do Teatro do Sesi"SP me foi enviada por Nina Sargaço, responsável pelo Acervo Nina Sargaço de Têxteis em São Paulo, a quem agradeço.







E era a própria Ninette Van Vüchelen quem executava os figurinos! Sentava à máquina, não era só uma criadora nos desenhos. Sabia cortar o tecido e costurar e fazia os figurinos desenhados por ela. Um dínamo!






Acima reprodução de uma pequena parte do texto que menciona Ninette Van Vüchelen na dissertação de mestrado de Rosane Muniz Rocha, "A Trajetória de Gianni Ratto na Indumentária". Me chama a atenção o depoimento de Antônio Abujamra sobre a natureza enérgica de d. Ninette que, ao mesmo tempo, era a que se sentava e bordava à mão ou à máquina pacientemente os seus super detalhados trabalhos de tecidos, os patchwork. Acho que seria um momento de calma, de calmaria, um momento onde encontrava tranquilidade. Um relax.


E o meu viva a Ninette Van Vüchelen!

Abaixo, algumas obras de Ninette Van Vüchelen que reeditei para perceber melhor os detalhes.