sexta-feira, 25 de janeiro de 2019
Bolo Cine Jandaia
O bolo confeitado acima foi obra de d.Cândida Lacerda, que não conhecia, mas que deve ter sido uma boleira, artista e confeiteira das boas, de mão cheia, daqui de Salvador, mestra na arte de fazer bolos, arquiteta de sonhos doces e confeitados que faziam a alegria da petizada, das debutantes e dos mais velhos em bodas.
D. Cândida deveria seguir os ensinamentos da boleira mor do Brasil, Dolores Botafogo, que publicou inúmeros livros - muitos dos quais já postei aqui - que fazia modelos incríveis e variados sobre diversos temas e todos eles serviam para serem cobertos da glace tradicional e mais deliciosa feita de açúcar, clara de ovos e limão como se fazia naquela época.
Usava-se o recurso das armações estruturadas em madeira leve que depois eram recobertas da glace branca ou coloridas com aqueles tons lindos e exagerados das antigas anilinas e sobre as quais se colocavam os vários enfeites, os padrões de bicos decorativos de confeitar - perlê, pitanga - kkkkk e mais as rosinhas, flores, bolinhas peroladas, prateadas, douradas, pássaros, bonequinhos de cera e etc. e etc. Uma riqueza total!
Eu fui a vários aniversários que tinham esses bolos e eu achava uma maravilha!!! Ao vê-lo em cima da mesa, ao centro, eu fazia o meu momento catatônico, fixando o meu olhar de petiz sobre aquele bolo/sonho tornado realidade e "viajava na glace" kkkk
Depois dos parabéns - naquelas datas queridas - ele era repartido e ficava capenga, destruído, sem a forma original, as estruturas de madeira expostas... O sonho acabava, mas, comê-lo era uma obrigação e delícia e depois lá ficava ele sem a forma original e a parte comestível já nas barriguinhas dos satisfeitos convidados.
Este bolo Cine Jandaia me deu uma tristeza! Um cinema que serviu para tema de festa, motivo para bolo confeitado e que só trazia alegria para a nossa cidade, hoje está como nas fotos abaixo que fiz ( menos a primeira em zoom). Outrora um luxo, o cinema que era teatro também - Carmen Miranda se apresentou lá em 1932 (com meus avós paternos na plateia), hoje é o retrato desgraçado do abandono.
Propriedade privada, depois de muita luta o governo comprou, tombou e, hoje, ele está lá esperando ruir de vez, desabar.
Se se fizesse um Bolo Cine Jandaia hoje, depois de pronto, dariam-se vários socos e amassos para adequá-lo ao seu estado de decadência atual.
Esta foto do bolo de d. Cândida saiu em uma matéria da revista Muito do Jornal A Tarde de novembro de 2008 que tratava do assunto bolo e de confeiteiras daqui de Salvador. Tem uma outra foto de época de um bolo de d. Cândida, o Bolo Carro - super bonito - que depois posto aqui. Hoje fico no bolo Cine Jandaia lindamente confeitado reproduzindo o seu antigo esplendor e nas fotos abaixo que mostra as suas ruínas, o seu tristíssimo final.
(Essas duas fotos do interior do tenebroso cine fantasma/Jandaia são do Google.)
quinta-feira, 24 de janeiro de 2019
Mazagran Baiano
Um cafezinho,
1 colher de chá de melaço de cana,
1 colher de chá de açúcar demerara. Mexe.
Água com gás,
Um pouco de suco de limão,
2 cubos de gelo.
E é só isso.
Ficou ótimo. Refrescante! Ah!!!
O próximo vou colocar só o melaço, 1 colher de sobremesa.
O Mazagran, ou "café gelado", é bebida ótima para aguentar a canícula de Salvador que está, como já disse Nelson Rodrigues, de derreter catedrais.
No mais, esta é a minha homenagem a Madame Francine!
1 colher de chá de melaço de cana,
1 colher de chá de açúcar demerara. Mexe.
Água com gás,
Um pouco de suco de limão,
2 cubos de gelo.
E é só isso.
Ficou ótimo. Refrescante! Ah!!!
O próximo vou colocar só o melaço, 1 colher de sobremesa.
O Mazagran, ou "café gelado", é bebida ótima para aguentar a canícula de Salvador que está, como já disse Nelson Rodrigues, de derreter catedrais.
No mais, esta é a minha homenagem a Madame Francine!
quarta-feira, 23 de janeiro de 2019
Bloco Universitário
Capa do bloco de papéis Universitário que, apesar de ser dos anos 70, manteve uma capa bem antiguinha, com desenho bem bonito tipo anos 30, de uma romântica e sonhadora dama em um convés de navio e em tom de azul muito leve e suave.
Resta a cartinha a ser escrita.
Madeleine Francine Biberia e uma Receita Prática de Mazagran
Essa receita de Mazagran dada pela Madame Francine é bem prática. O limão deveria ter, acho, mas o rum, o hortelã e o açúcar - o xarope - na receita simplérrima dela não têm e, por isso achei ótima! Quem não tem cão caça com gato e é uma boa fazer em casa sem salamaleques.
As outras receitas do Mazagran com o café adoçado, suco, raspas de limão, gelo, rum, e cubos de gelo na água gasosa fazem o café gelado.
A origem do Mazagran é argelina. Há uma variante portuguesa e a austríaca que não leva o hortelã.
Depois do sinistro infeliz, ela teve a feliz ideia de servir um Mazagran bem simples - brasileiro? - que, no calor do Rio caiu muitíssimo bem!
No mais, a Madame Francine ainda teve a gentileza de servir uma bebida à jornalista que foi entrevistá-la no meio dos escombros. Foi muito elegante e mostrou a superação dela depois de perder o que a segurava na vida: sua coleção de antiguidades.
E com esta receita do Mazagran encerro a série de postagens que fiz com a impressionante história de Madeleine Francine Biberia, a Madame Francine.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2019
Madeleine Francine Biberia e o Amor à Arte 2
Essa página do Jornal do Brasil de 14 de setembro de 1980, me foi enviada por um amigo que morava no Rio de janeiro na época. Ele ficou impressionadíssimo com a história da Sra. Madeleine Francine Biberia, a Madame Francine. E eu quando recebi a página do jornal pelo correio e li, fiquei também espantado com a história, perplexo e, também, com uma grande admiração por aquela mulher.
Algumas coisas que ele diz são espetaculares à respeito da sua coleção, o porquê da sua paixão pelos objetos de arte antigos, milenares, o porquê da sua coleção, busca de uma vida inteira pelo mundo todo.
No outro post eu disse que havia ocorrido uma fatalidade em relação à perda da sua coleção, na verdade ela foi vítima de alguém que tentou matá-la e destruir o seu patrimônio. Bem, para saber o que foi que realmente aconteceu só lendo esta matéria que foi escrita por Susana Schild e com fotos de Agnaldo Ramos que documenta o caos que se tornou o apartamento de Madame Francine.
Esta folha de jornal é de 1980, portanto o fato ocorreu há 39 anos! A folha resistiu...
Procurei saber sobre a vida de Madeleine Francine Biberia e as poucas coisas que descobri foi a sua data de nascimento, 07.03.1919 na Romênia, que veio para o Rio de Janeiro em 1955, casou-se com o psicanalista Gerson Borsoi que faleceu um ano antes do ocorrido no apartamento do casal. Madame Francine veio a falecer no Rio de Janeiro em data não precisa.
Em 1957, Madame Francine escreveu um livro de suas memórias que está à venda na Net em sites estrangeiros.
domingo, 20 de janeiro de 2019
Madeleine Francine Biberia e o Amor à Arte
Trecho de uma matéria de 1980 do Jornal do Brasil com Madame Francine, romena que vivia no Rio de Janeiro. Nesses dois textos me identifiquei e entendi o que é a fixação por objetos antigos: uma obsessão, compulsão, uma loucura gostosa. É claro que não há comparação entre o meu humílimo acervo e a coleção incrível de objetos de arte que esta senhora juntou durante toda vida e que teria um final trágico. Mas isso, essa fatalidade na vida dela, eu vou postar depois, agora, fico aqui com estes dois textos preciosos pronunciados por uma conhecedora profunda de arte antiga, uma colecionadora, uma acumuladora do belo.
(Até hoje não dormi com um objeto que tenha comprado, mas, antes de dormir costumo olhá-lo e, ao acordar, corro para vê-lo.)
quinta-feira, 17 de janeiro de 2019
Um Adorável Vestido
"Chama-se "Miriella" este adorável vestido em algodão listado preto e branco, de grande gola drapeada e saia enviesada, um modelo de Jeanne Lafaurie."
A foto está na revista Vida Doméstica de março de 1954. Amei logo o verdão de fundo e o modelo totalmente de época que jamais voltará a ser usado por uma elegante deste ex adorável planeta.
Jeanne Lafaurie foi uma costureira francesa, 1897-1982 -, que manteve durante muitas décadas seu atelier de costura em Paris.
Nunca ouvi falar em Mme. Lafaurie. O verdão da foto me levou a ela.
A foto está na revista Vida Doméstica de março de 1954. Amei logo o verdão de fundo e o modelo totalmente de época que jamais voltará a ser usado por uma elegante deste ex adorável planeta.
Jeanne Lafaurie foi uma costureira francesa, 1897-1982 -, que manteve durante muitas décadas seu atelier de costura em Paris.
Nunca ouvi falar em Mme. Lafaurie. O verdão da foto me levou a ela.
Pequena Cabeça em Argila
Um belo trabalho escultórico em argila, uma pequena cabeça de traços negroides. Um estudo, talvez. Parte de um conjunto, talvez. Não sei se lavor de aluno aplicado ou de mestre consumado: é um trabalho muito bem feito.
Comprei nas minhas andanças pelo sobe e desce das ruas e ladeiras de Salvador.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2019
Duas Frenéticas
Gisella em foto dos anos 70 de Antonio Guerreiro.
Amo essa foto!
Ontem duas "frenéticas" ascenderam ao céu. Cada uma na sua prateleira, na sua seara, as duas brilharam freneticamente naquilo que fizeram em vida. Gisella Amaral há anos era uma presença constante na noite acompanhando o marido, Ricardo Amaral, em seus empreendimentos no Rio e mundo afora. Mas, Gisella, era uma mulher do dia também, trabalhava, e muito, em seus projetos e atividades de benemerência ajudando e assistindo pessoas necessitadas. Super católica, ela se entregou totalmente a ajudar o próximo e não parava nunca, parecia que não tinha limites. Era um dínamo!
Uma vez li que ela trocava de roupa dentro do carro entre um evento e outro kkkkk, imagino a quantos lugares ela ia em um só dia para cumprir compromissos e batalhar o sustento para suas obras. "Fazer" era o verbo que cabia na bela por dentro e por fora que foi Gisella Amaral.
Há algum tempo eu sabia que ela estava doente, mas sempre ela melhorava, reaparecia e sempre estava de volta ao batente. Ontem, notei uma procura exagerada por um post que eu fiz há algum tempo aqui no blog dela com Carmen Mayrink Veiga e, indo ao Google, li a notícia do seu falecimento.
Espero que o trabalho que ela fez tenha prosseguimento.
Edir de Castro era uma das 6 Frenéticas, grupo musical que eu adorava e do qual tenho, ainda, todos os LPs que elas gravaram. As Frenéticas foi um grupo que surgiu em 76, 77, em uma ascensão meteórica. Era o máximo o som que elas faziam super dançante, cantavam e dançavam super bem etc. Depois o grupo foi acabando, teve uma outra formação breve que resultou em um LP, depois parou, voltou novamente, rolou um CD e depois acabou de vez.
No tempo em que o grupo esteve parado, Edir de Castro trabalhou como atriz e, muito tempo depois, eu soube que ela tinha ido para o Retiro dos Artistas no Rio de Janeiro e que estaria doente. Ontem ela faleceu. Abriu as asas. Voou. Descansou.
É isto, meu blog se nutre de coisas fúteis, de banalidades, das coisas que acho bonitas, de arte de maneira geral, de antiguidades - as minhas velharias - meus lixos que acho luxos e, também, se compadece, eu me compadeço, fico triste quando pessoas que eu admirava se despedem da vida, deixando o nosso Brasil mais careta, mais triste.
Amo essa foto!
Ontem duas "frenéticas" ascenderam ao céu. Cada uma na sua prateleira, na sua seara, as duas brilharam freneticamente naquilo que fizeram em vida. Gisella Amaral há anos era uma presença constante na noite acompanhando o marido, Ricardo Amaral, em seus empreendimentos no Rio e mundo afora. Mas, Gisella, era uma mulher do dia também, trabalhava, e muito, em seus projetos e atividades de benemerência ajudando e assistindo pessoas necessitadas. Super católica, ela se entregou totalmente a ajudar o próximo e não parava nunca, parecia que não tinha limites. Era um dínamo!
Uma vez li que ela trocava de roupa dentro do carro entre um evento e outro kkkkk, imagino a quantos lugares ela ia em um só dia para cumprir compromissos e batalhar o sustento para suas obras. "Fazer" era o verbo que cabia na bela por dentro e por fora que foi Gisella Amaral.
Há algum tempo eu sabia que ela estava doente, mas sempre ela melhorava, reaparecia e sempre estava de volta ao batente. Ontem, notei uma procura exagerada por um post que eu fiz há algum tempo aqui no blog dela com Carmen Mayrink Veiga e, indo ao Google, li a notícia do seu falecimento.
Espero que o trabalho que ela fez tenha prosseguimento.
Edir de Castro era uma das 6 Frenéticas, grupo musical que eu adorava e do qual tenho, ainda, todos os LPs que elas gravaram. As Frenéticas foi um grupo que surgiu em 76, 77, em uma ascensão meteórica. Era o máximo o som que elas faziam super dançante, cantavam e dançavam super bem etc. Depois o grupo foi acabando, teve uma outra formação breve que resultou em um LP, depois parou, voltou novamente, rolou um CD e depois acabou de vez.
No tempo em que o grupo esteve parado, Edir de Castro trabalhou como atriz e, muito tempo depois, eu soube que ela tinha ido para o Retiro dos Artistas no Rio de Janeiro e que estaria doente. Ontem ela faleceu. Abriu as asas. Voou. Descansou.
É isto, meu blog se nutre de coisas fúteis, de banalidades, das coisas que acho bonitas, de arte de maneira geral, de antiguidades - as minhas velharias - meus lixos que acho luxos e, também, se compadece, eu me compadeço, fico triste quando pessoas que eu admirava se despedem da vida, deixando o nosso Brasil mais careta, mais triste.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2019
Rogéria
Foto de um cartaz de um filme que colei nos álbuns e que tinha Rogéria no elenco.
Já li a biografia de Rogéria, mas não vi citação a ele. Rogéria fez tanta coisa que, de repente, passou...
Rogéria era um ator transformista completo, cantava e dançava e mais, muito mais. Era ótimo no drama e na comédia, ou seja, um artista completo. Teatro, cinema e televisão ele fazia tudo bem.
Vi Rogéria com Agildo Ribeiro no show Alta Rotatividade aqui em Salvador, final dos anos 70, início dos 80, não lembro. Lembro de Rogéria dançando e cantando, contando piadas e ao lado de Agildo que era o máximo, engraçado demais. Era pau a pau. Os dois magníficos em cena e hilários.
Vi Rogéria no seu último trabalho no filme Divinas Divas. E li no ano passado a biografia dela, vida ótima, agitada, uma luta, uma vitória.
A foto abaixo foi tirada da TV por um amigo que me mandou pelo zap em 2017 quando ela faleceu.
(para ouvir a playlist do blog clique na setinha acima à esquerda.)
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