Essa matéria com Yara Andrade é de 1988, revista Interview, texto de Michael Koellreuter e fotos de Paulo Sabugosa.
Das muitas revistas que eu tinha, selecionei várias matérias que me interessaram por um motivo ou por outro e joguei o resto fora, pois haja espaço pra guardar papel, as minhas queridas revistas velhas. Moro quase sempre em apartamentos pequenos - "infelizmente sou da classe média", como diz os versos da canção de Lamartine Babo - nada que se compare a essa apê magnífico de Yara Andrade onde eu teria, é claro, espaço de sobra pra estocar muito papel velho. Mas...
O que me fez guardar mesmo esta matéria, foi o fato de eu saber que a d. Yara foi a grande amiga de Carmen Mayrink Veiga por anos a fio. Desde o final dos anos 70 que via nas revistas e jornais as duas empencadas, lindas, elegantérrimas, felizes e aos risos pelo Brasil e pelo mundo. Acho que as duas se afinaram ou se afinavam em muitas coisa. Carmen era amiga de todas, estava sempre com muitas amigas, mas, com Yara parece que a amizade era diferente, tipo duas irmãs e daquelas que realmente se gostam.
Na época da doença e da morte de Guilherme Guimarães, li, em Hilde - só poderia ser lá - que d. Yara foi a amiga que ficou ao seu lado até o fim e que Carmen, outra grande amiga e musa do costureiro lhe fornecia alimentação! A dupla feliz Carmen/Yara, na doença do amigo souberam também se unir e serem presentes e solidárias. Achei isso mais que legal. Corretíssimo.
Não sei se Yara Andrade chegou a ser musa do grande costureiro brasileiro Guilherme Guimarães como foram Carmen Mayrink Veiga, Christiana Neves da Rocha e Tonia Carrero, mas que Yara Andrade foi uma fada para ele, isto ela foi!
Abaixo, algumas fotos de Yara Andrade com a amiga Carmen que eu já tinha postado aqui no blog.
E o trio mais que elegante: Josephina Jordan, Carmen Mayrink Veiga e Yara Andrade.
Salvei essa foto que saiu no Correio da Bahia, 16.02.2017, porque fiquei surpreso com o corredor de casas ocas, esqueletos do que já foi uma fileira de casas - sete - geminadas que deviam formar um quarteirão e ficam em frente a entrada do Elevador do Pilar na parte baixa. Pela foto dá pra ver que elas ficam na parte de trás de um grande trapiche que hoje serve de estacionamento e, às vezes, se presta para espaço de eventos.
Nessa zona da cidade que fica no comércio, na Cidade Baixa, ficava a antiga Receita Federal que, ao mudar de local, diminuiu em muito a circulação de gente por ali. O Mercado do Ouro e a Igreja do Pilar também estão na região que um lugar que abriga comércio que vende a grosso, atacado, frigoríficos, ou seja, é um local geralmente sem grande movimento.
A Igreja do Pilar foi totalmente restaurada e está linda e nos trinques, mas o movimento dela fica restrito às missas nos domingos e na festa de Santa Luzia em dezembro quando há a novena, a procissão e a parte profana da festa. A fonte de Santa Luzia com a água santa que corre no terreno da igreja atrai pessoas doentes dos olhos ao local e sempre há essa movimentação dos fies.
Mas o local é meio pro ermo, meio pro deserto e parado. Eu raríssimamente vou ali e, até hoje, não visitei a igreja pós restauro. É daqueles lugares "que se tem que decretar para ir", "tomar coragem" e tirar um dia para levar a visita adiante.
Fiquei espantado com os paredões ocos de casas que outrora, e põe outrora nisso, deveria ser de casas comerciais que, pela pela falta de fregueses e do pouco movimento, foram fechando, terminaram desabando e hoje estão desse jeito, ocas, hirtas por fora, "seguras por deus", só com as paredes externas e sem serventia e sem, talvez, um projeto de revitalização de uso, reuso etc. etc.
Fico nos etc. pois Salvador está cheia desses esqueletos da arquitetura urbana.
É triste.
O trapiche que fica na frente da rua no comércio, cidade baixa. As "ocas" ficam atrás.
A entrada do Elevador do Pilar pela entrada do bairro de Santo Antonio, cidade alta.
Uma ilustração de capa feita pelo pintor, desenhista e também escritor português, Lima de Freitas. Comprei este livro hoje e só pelo desenho da capa que gostei muito e em que percebi logo um certo requinte e que teria um bom artista a assinando.
Essa Coleção Vampiro era de livros populares, de suspense e de aventuras eu acho - nunca li. Já coloquei uma outra capa dessa coleção aqui no blog. Hoje, fazendo um "footing" elegante pelos sebos de minha terra kkkk, encontrei uma porrada desses livros a 1 real kkk, mas só esse que me interessou.
Fui ao Google e achei lá a vida e obra desse ótimo artista português, Lima Freitas, que ilustrou inúmeras capas de livros e revistas durante muitas décadas. Mais informações é só entrar lá para ler.
O vampirinho da marca da coleção é adorável!!!
Ai, que medo!!!!!
Interessante também, foi ficar sabendo que quem comprou este livro na época - outubro de 1960 - o fez nesta Livraria e Papelaria Mourelise daqui de Salvador e que eu nunca ouvi falar, apesar de ficar no centro
Outra coisa legal é este texto, "Advertência ao Leitor" - sobre livros novos e velhos, ótimo e bem explicativo kkkkk mas, eu sou exatamente o oposto, adoro um livro manuseado, velho e barato se for possível. Quando compro, higienizo e lavo bem as minhas mãozinhas.
Adoraria ter sido freguês da Mourelise...
-O Sr. tem o O Sinal do Morto de John Dickson Carr?
-Já temos sim, rapaz, acabou de chegar agorinha mesmo.
-Que bom! Eu adoro os títulos da Coleção Vampiro.
A contracapa anunciando o novo número, tchan, tchan, tchan... Ai, que medo!!!
Ui!!! Sai vampiro!!! Mas, ele é tão bonitinho e simpático...
E a capa de O Sinal do Morto. Não vou ler, então não vai me meter medo.
A capa é linda.
The Cat, obra de 1915 de Jean Metzinger,1883/1956.
Comprei recentemente os três livros de Dan Franck, Paris Boemia, Paris Libertária e Paris Sitiada, nos quais ele trata dos artistas que fizeram a chamada arte moderna, romperam de vez com a arte acadêmica e criaram novas formas formas de expressão na pintura, escultura, literatura etc.
Este assunto era tudo o que eu queria ler no momento, saber sobre aquelas pessoas loucas que viviam em Paris e revolucionaram o mundo das artes.
Geralmente quando a gente pensa em arte moderna, ficamos centrados nos nomes vitrines ou os mais conhecidos, como Picasso, Braque, Picabia, Matisse, Juan Gris e mais alguns, mas eles, os artistas, eram muitos, eram muitos os pintores, escultores, escritores e poetas que ficaram eclipsados pela fama de alguns. Jean Metzinger é um deles.
Fui lendo o primeiro livro e marcando os nomes desses artistas que fizeram aquele movimento, muitos para mim desconhecidos e para buscar, depois, imagens no Google e conhecer as suas obras.
Na pesquisa, me deparei logo com esse gato de Metzinger e com outras coisas magníficas dele.
Arrastei logo esse gato pra cá!
Belíssimo!
Que bom que ainda estou fazendo descobertas.
Gravura de Percy Deanne, numerada, e que está no Google para todos verem, admirarem e eu tratei de arrastar rapidinho aqui para o blog.
Depois de ter feito uma postagem para o carnaval em que escaneei uns desenhos de Percy Deanne, achei no Google vários trabalhos dele que não conhecia, aliás, só conhecia mesmo os desenhos do livro Contos de Carnaval.
Quantos artistas maravilhosos nós temos e não sabemos ou desconhecemos. Há uma fartura deles!!!!
É claro que adorei este gato de Percy Deanne. Perfeito.
E para encerrar os babados de carnaval, nada melhor que a placidez e a tranquilidade desse gatinho.
É gato, tô dentro!
Voltando da Folia de Eurídice Bressani.
Ensaio da Cabrocha no Terreiro de Heitor dos Prazeres.
Abaixo, Carnavalescos de Carlos Coelho Louzada.
Três quadros em estilo "naif" sobre o tema carnaval e que estão na contracapa do livro Contos de Carnaval.
Não achei nenhuma imagem dessas obras no Google. Procurei e não achei: então, são "novidades" aqui do blog.
Interessante, nesta publicação, é a citação dos nomes dos proprietários de duas obras, a de Di Cavalcanti, que é capa do livro e a de Heitor dos Prazeres que está na contracapa.
A edição do livro pela Edições de Ouro é de de 1965. Eu comprei exatamente dez anos depois em 1975.
Procurei o Contos de Carnaval em sites de venda de livros e não encontrei. Achei em um site de leilão sendo ofertado e já vendido em um lote.
Portanto, hoje, eu sou o feliz proprietário de um livro raro e que não foi reeditado.
Que ótimo! Aceito boas ofertas para venda.
Só boas ofertas!
Três desenhos e vinheta de Percy Deane, pintor e ilustrador brasileiro - 1921/1993 - e que estão no livro Contos de Carnaval.
Esta pintura de Di Cavalcanti é a capa do livro Contos de Carnaval, antologia organizada por Wilson Louzada. Os desenhos e vinhetas que ilustram o livro são de Percy Deane. Hoje vou colocar só a capa do livro. A contracapa também tem três reproduções de pinturas que ficam para outro post, assim como os desenhos magníficos de Percy Deane.
Comprei este livro em 1975, em uma livraria que tinha na parte alta do Plano Inclinado Gonçalves que comercializava livros das Edições de Ouro. Eu adorava aquela "portinha" cheia de livros e juntava dinheiro pra comprar aquelas coleções. Como eu morava na cidade baixa, o "plano" era um de meus meios de transporte, numa época em que os finais de linha para quase todos os bairros ficavam ali pertinho na Praça da Sé.
E lá vem lembranças e memórias...
Mas, hoje, agora, o que rola aqui é o quadro de Emiliano Di Cavalcanti que, por sinal não vi pelo Google e por isso, estou reproduzindo aqui, junto com capa do livro.
Eu tomei pavor de carnaval, aliás, tomei pavor da bagunça, mas como festa e acontecimento é ou foi, um tema riquíssimo para escritores e pintores. Para os foliões, uma pena que tenha se transformado em uma festa violenta e que assusta - pelo menos a mim - e de negócios, dinheiro, dinheiro e, alegria genuína, zero.
Fico nas lembranças, nos meu papeis e no carimbo da loja mínima, uma "portinha" que era a Livraria Excelsior onde comprei o Contos de Carnaval.
Do carnaval para Nossa Senhora de Lourdes.
Não quis baixar nada do Google e fui me servir, "me valer" de um livrinho de orações que eu tenho da oração e a estampa de Nossa Senhora de Lourdes. Hoje nasceu minha sobrinha neta Maria Antonia e esta oração, entre tantas dedicadas a Nossa Senhora, sempre foi uma das que mais gosto, pois fala de sossego e de recolhimento. Tem coisa melhor, nesses nossos terríveis e tenebrosos dias pra encontrar com "qualquer deus" ou Nossa Senhora? Só com recolhimento e sossego.
Eles são difíceis de encontrar e uma gruta então... nem se fala! Mas, em uma igreja antiga e calma e em uma hora sem missa, em silêncio, a gente encontra - pelo menos, eu, que sou católico - o nosso deus e Nossa Senhora.
Aqui na Bahia, Salvador, eu encontro esses "thesouros" antigos, que são o sossego e o recolhimento na Igreja de São Bento.
E salve Nossa Senhora de Lourdes e viva a Maria Antonia chegando agora no mundo que já foi um jardim, um jardim que se chamava terra, como diz os versos da canção de George Moustaki.
Foto salva no meu arquivo. Criança com uma roupinha ótima, tipo uma releitura de fantasia de palhaço ou, como se dizia, fantasia estilizada de palhaço. O corte da calça é super legal, largo no quadril e justo nas pernas, como um knicker.
A mamãe se esmerou na roupa, porém, o sapato, ela preferiu deixar um normalzinho, não "carnavalizou". Achei ótimo! A gola em babado duplo de tule e salpicada de lantejoulas, daquelas das boas - de época - metalizadas, super brilhantes, foram salpicadas também no chapéu de ponta com elegante pompom arrematando. Moderna mamãe!
E o lança-perfume na mão do garoto e em destaque, é o máximo! Um lindo palhacinho antigo e com um quê de muito moderno na concepção da roupa. Nota 10!
Onde andará este menino? Onde estará esta mamãe pressurosa que deixou o seu filho brilhar em um antigo carnaval?
Fantasia e amor.
Amor e fantasia em um antigo carnaval.
Esta foto está em um livro sobre Odorico Tavares, intelectual pernambucano, mas que viveu aqui em Salvador.
Há muito tempo que escaneei esta foto e, agora, neste período carnavalesco e catando coisas no meu arquivo me lembrei desta imagem da escritora Eneida que era uma mulher incrível e é sempre relacionada ao carnaval. Animadíssima organizava no do Rio de Janeiro e em Belém, Pará, onde nasceu, o Baile do Pierrot que era um acontecimento.
Quando menino via sempre fotos de Eneida nas revistas da época, geralmente nessa época de Momo. E tinha as crônicas que ela escrevia também.
Eneida devia ser uma mulher fantástica! Infelizmente a foto não mostra bem o rosto dela, mas, pelo jeito, ela deveria estar dando uma gargalhada escandalosa e levando todos ao riso. Está com um bom drink na mão e um cigarro. Animada! Deve ter sabido viver.
Eneida de Vilas Boas Costa de Moraes - assim era o seu nome completo - escreveu em 1958 o livro História do Carnaval Carioca. Nos anos 70 foi homenageada pela Escola de Samba Salgueiro com o samba enredo Eneida, Amor e Fantasia.
Bem, mil coisas mais sobre Eneida e mais fotos estão no Google. Aqui tem apenas este meu textinho-homenagem e esta foto "quase inédita".
Amor e fantasia para todos e uma gargalhada à Eneida, aquela bem dada, bem gostosa!
Nessa época, 1959, o Rio de Janeiro era, ainda, uma festa. Hoje é uma festa de tiros e de balas perdidas pelo espaço sinistro e intranquilo da outrora cidade maravilhosa.
Através dessas antigas propagandas de viagens ao Rio percebemos como o Rio era vendido: uma cidade exótica, deslumbrante e alegre. Esses eram os atrativos para o turista estrangeiro. Delícia tropical, era só prazer e gozo.
Mas, sou otimista e imagino o Rio sendo ainda, algum dia, a festa que sempre foi.
O anúncio da Moore-McCormack está em uma National Geographic Magazine do ano citado.