E vamos ao recitativo! Hoje, com uma quadrinha muito bonitinha que está no livro "Violas" do escritor baiano Anísio Melhor, publicado em 1935 e que teve uma edição fac-similar comemorativa em 1985. O livro é uma completa delícia, com muitas quadrinhas, cantigas, dizeres, repentes, adivinhações, letras de músicas, desafios, enfim, criações anônimas e outras não, do rico folclore baiano que o autor recolheu e reuniu no livro citado. O Violas tem coisas maravilhosas, inacreditáveis e hilárias! Êta povo criativo o baiano! Só eu vivendo umas trezentas vidas pra colocar uma partezinha aqui no blog. Os veadinhos de louça eu comprei em 2015 numa feira de antiguidades em São Paulo. Vamos recitar?
A linda capa do livro ilustrada pelo pintor e professor baiano Emídio Magalhães, 1905-1990.
Ontem eu comprei "na chon" aqui em Salvador o livro O Rio que o Rio não vê - Ornamentação Simbólica na Fachada Carioca - de Luiz Eugênio Teixeira Leite que pesquisou e fotografou vários prédios públicos do Rio de Janeiro e os seus ornamentos e adornos tão próprios do estilo eclético na arquitetura urbana. Eu também aqui em Salvador e em todas as cidades que eu vou fico a fotografar esses adornos, que acho lindos, com a minha simples máquina de daguerreotipar. Do livro em questão, escaneei o anjinho escultor, ornamento em alto-relevo em argamassa, que fica no Edifício Engenheiro Ataulpho Coutinho e é de 1901. E de quem seria o busto de mulher que o anjinho estaria esculpindo com a ajuda do martelo e do cinzel? Pensei na Princesa Isabel. Será ela??? É lindo este ornamento!
Entrei em um prédio em frente à rua da Bângala, no bairro de Nazaré, e me deparei com um pátio enorme com esta escadaria helicoidal imensa de cimento no fundo. Me disseram que no local já funcionou uma creche. Então, façamos de conta que somos petizes alegres e satisfeitos e vamos subir e descer a escadaria.
Fiz esses "aspectos", "bati estas chapas" há bastante tempo, aspectos despretensiosos - pra variar - registrando a descida da Barroquinha, livre, nua dos barraqueiros de couro que por ali ficaram por muitos anos - será que já voltaram pra lá? - e a igreja da Barroquinha que conheci antes de arder nas chamas do sinistro, sinistro até previsível dado o abandono em que a igreja vivia na época. Agora ela está restaurada, mas nua, oca por dentro, virou "espaço", espaço sideral não, espaço cultural, Espaço Cultural da Barroquinha para shows, eventos, peças etc. etc., menos missas. Tudo menos missas. Ao lado da igreja o cine Glauber Rocha que também agora é espaço. Tudo agora é espaço. Vamos descer a Barroquinha?
No Largo da Barroquinha tem este casarão do século XIX encimado com imagens de faiança portuguesa que, sob o sol, brilham, brilham...uma beleza! É o luxo da Barroquinha! Apesar de o prédio estar bem desvalorizado e mal utilizado, a parte superior ainda está preservada, ainda não mudaram as janelas etc., mas, a parte de baixo já é de comércio há muito tempo com portas largas abrigando lojas populares. Este prédio deveria ser tombado, pois é ele que dá o charme que resta à triste Barroquinha.