domingo, 16 de março de 2014

Tonia Carrero e José Lewgoy . Novela Água Viva . 1980 . 8


Cena linda entre Tonia, Stela Simpson e José Lewgoy, Kléber, na novela Água Viva. A iluminação perfeita, um tom azulado, o estúdio quase às escuras e os dois dizendo um texto belíssimo durante quase todo o bloco do capítulo. Stela Simpson, bêbada e deprimida, desabafa e, Kléber, fica ouvindo e consolando a ex_mulher.
José Lewgoy também dá um show: elegante, cavalheiro, ouve a amiga e deixa ela desabafar e deixa Tonia brilhar!!!!! A cena é dela, mas ele é o mestre_sala perfeito que guia a parceira.
Hoje jamais uma cena dessas se repetiria: as novelas estão mais vazias de conteúdo, muito diálogo e, diálogo sério, espanta o atual público que não quer mais saber de alguma coisa mais profunda. A iluminação, também, é um recurso que não é mais explorado. Hoje as novelas são todas com iluminação chapada.
Mas o bom mesmo foi ver dois atores talentosíssimos contracenando e dizendo maravilhosamente bem o texto do autor da novela, Gilberto Braga.






















































































































Tonia Carrero . Novela Água Viva . 1980 . 7


Neste capítulo depois de ter um pedido seu negado bruscamente pelo amigo Miguel Fragonard e da partida do "casete" que ela tinha levado à Angra dos Reis, o personagem de Tonia, Stela Simpson cai na bebedeira. Enfia o pé na jaca.
Durante todo o capítulo a vemos andando de um lado para o outro, sozinha,  bêbada, trocando as pernas, sempre com um copo de uísque na mão, enquanto os outros personagens da novela estão em vários grupos conversando, jogando etc.
Esta movimentação de cena de Tonia me lembrou Mary Tyrone, personagem da peça Longa Jornada Noite Adentro de Eugene O'Neill. Mary como Stela, também fica a vagar, a relembrar e a delirar sobre o seu passado, a sua juventude.
Na cena seguinte com José Lewgoy,  Tonia vai fundo e diz um texto belíssimo sobre a beleza, maturidade, velhice, solidão. Só Tônia poderia ter feito essa "scena", porque só ela podia falar de beleza e sua transitoriedade de forma tão profunda, tão verdadeira, sendo excelente atriz e bela, belíssima por natureza.