quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Andorinhas


 Andorinhas chiquérrimas em aquarela no livro Leitura II de Erasmo Braga, Edições Melhoramentos, 1942. Este livro, mais um achado pelas ruas, tem desenhos simplesmente incríveis e belíssimos e os textos bem de época, ingênuos - como tudo mudou tão rapidamente! - não tem contato com a tragédia que virou a vida atual...um esgarçamento que não sei aonde foi parar o humano que havia. Vamos olhar as andorinhas do livro antigo e delicado do passado, e voar de volta um pouquinho. 






domingo, 13 de dezembro de 2020

Santa Luzia . Medalhinhas . Ex-voto . O Agrafe


Hoje, Santa Luzia. 13 de dezembro. Hoje aqui em Salvador não tem a procissão que sai da Igreja do Pilar no Comércio e muito menos a festa, parte profana que, aliás, cada dia está menor. Signal dos tempos. 

Mas, hoje, a comemoração não há por causa da Covid -19 e os fies não devem ter ido em número grande ao Pilar...mas os devotos fervorosos devem ter ido banhar aos olhos na fonte da água milagrosa de Santa Luzia que brota da encosta ao lado da igreja.

Estranho tempo escuro à procura de luz.

"Ó Santa Luzia, pedi a Jesus que sempre nos dê dos olhos a Luz!"
 

Essa imagem de Santa Luzia eu comprei num bazar. De gesso, repintada, costumizada e com umas pinturas por cima muito loucas...pontinhos, tracinhos... colocaram uns brilhos sobre a pintura original, a veste, em  verde, é sobreposta por um manto vermelho amarrado à cintura por um elegante nó. 

A santa carrega a palma do martírio e a salva com os dois olhos. Adoro essa imagem com essa repaginada, atualizada que alguém deu...ficou ótima. A santa tem uma cabeleira vastíssima e comprida contida por uma tiara. Enfim, Santa Luzia nesta imagem está chiquérrima!


Essas medalhinhas de prata são na verdade ex-votos que se encomendavam nos prateiros, compravam- se nas lojas antigas - nos bons tempos - de material religioso e também nas igrejas. Hoje, não estão mais à venda e não há quem os façam mais, somente são encontrados em antiquários. Acho lindos. Adoro essas medalhinhas ou ex-voto.
Minha avó quando teve um problema de vistas, como promessa, à Santa Luzia, nunca mais deixou de usar a medalhinha/ex-voto preso com uma presilha - alfinete de pressão - à alça do soutien ou na combinação na altura do busto. Era o chamado agrafe, sempre usado por dentro da roupa. 
Combinação: era tipo um vestido sem adorno de algodão que se usava por baixo do vestido. Uma marca de calçola não podia aparecer jamais!!! E ainda tinha a anágua também! Hoje todas as mulheres, até senhoras, andam com roupas que aparecem a marca da calçola, hoje a "calcinha".

Para ilustrar: o ex-voto/medalhinha preso, o agrafe, só que aqui está por fora, na parte de cima da roupa. Ele é usado na parte de dentro das roupas e fica invisível. 
E Salve, Santa Luzia!
Abaixo, fotos que saíram nos sites dos jornais de hoje, daqui de Salvador.
Jornal A Tarde



Correio da Bahia, fotos de Arisson Marinho.




Tribuna da Bahia
, foto de Reginaldo Ipê
.


sábado, 12 de dezembro de 2020

Ilustrações de Cortez


Anuário das Senhoras, 1936
. Cortez, o grande ilustrador brasileiro, enriquecendo as páginas dessa publicação para senhoras e senhorinhas de fino tracto com o seu traço original, sua criatividade, imaginação  e elegância. Cortez, o Mestre dos nossos ilustradores.

Esses desenhos são magníficos e, creio, raros, pois conheço algumas coisas de Cortez e nunca os vi em  publicações sobre a obra do ilustrador.





 

domingo, 6 de dezembro de 2020

Cabeças de Moringa


As moringas de barro na maioria das vezes eram cobertas por copos feitos do próprio barro, por copo de vidro ou por essas "cabeças" bordadas em vários motivos. As carinhas de bonecas e as de animais eram bastante comuns. 
Me lembro desse uso quando criança e nunca mais havia visto uma "cabeça de moringa" em tecido, bordadas em ponto cheio na máquina ou feitas a mão em alguma casa ou dando sopa por aí. Nem no interior são vista mais essas cabeças de moringa
As moringas também já tiveram o seu tempo áureo, tempo em que todas as casas tinha a sua, numa época ainda anterior à popularização das geladeiras. A moringa ficava ali na cozinha sempre à mão com a água fresquinha para ser bebida e, para enfeitá-la, faziam-se as "cabeças de moringa" que davam uma vida nova à moringa, decorava a cozinha e protegia a água no seu interior da poeira, insetos etc. 
Antigamente muita coisa era guarnecida por um paninho bordado, o fogão, a mesa, as prateleiras, o liquidificador e a geladeira - que tirou a moringa de cena - tinha pegadores em crochet ou em bordado também. Essas "cabeças de moringa" eu achei num usados e estavam novas, acho que nunca foram usadas, estavam com manchas de guardadas por muito tempo, bem longe da sua função de proteger o gargalo das lindas moringas de barro. 
Há muito tempo que tenho essas cabeças e só agora estou postando aqui. Para isso, comprei uma moringa pequena, que vou usar na minha cozinha - beberei muita água fresquinha! - e fiz as fotos com essa linda toalha de chita e algodão cru. Tudo nos conformes.
Vamos às "cabeças de moringa"?

Carinhas de gato. Eram, eu acho, as mais comuns, as mais usadas. Nesta aqui a prendada usou pontos à máquina no acabamento e o ponto haste fazendo o risco do desenho e nos pontos cheios também. O gato tem uma gravatinha e é meio godê o corpo. Fica uma belezoca na moringa!





Outras duas carinhas de gato, nessas está escrito a palavra fã. Toda bordada a mão, ponto festão no acabamento e ponto haste no desenho do risco e no ponto cheio do olho do gatinho. Amei o fã, fiquei fã!!!!






Essas duas são simples, isto é, com acabamento em ponto festão nas bordas e, na rosa, a prendada passou a costura reta bastante vezes pela borda como a fazer um bico. E ficou lindo!





Essa é chiquérrima. É toda bordada a mão, aliás, muito bem bordada, com pontos perfeitos seguindo o risco da gola desse palhacinho com cara super antiga, tipo anos 30. O ponto festão guarnecendo a borda do trabalho é uma perfeição, todos em um mesmo tamanho. A prendada jogou duríssimo no trabalho e o palhacinho ficou um luxo!


Essa é tipo, "pode entrar insetos e poeira", pois não tem forro. Mas essa é uma cabeça moderna, feita recentemente por uma prendada em ponto festão apertado. Amei. Falta forrar pra ter serventia.

Essas três são de crochet e devem ser de moringas bem pequenas, não couberam na minha. São em pontos muito bonitos de crochet antigo, com relevos, picôs e cordãozinho para apertar no gargalo.



Cabeças de galo, ou será de galinha, não sei...mas que são lindas essas "cabeças de moringa", isto sim elas são! A crista é toda bordada em ponto cheio muito bem feito, bem unido, não se vê o tecido embaixo. A prendada sabia bordar à máquina. As penas bordadas à mão em ponto haste. Uma beleza!!!


Os bicos da galinha ou do galo, são para à direita e para à esquerda. Quando se cansava de uma cabeça, colocava a outra virada pra outro lado. E assim ia a cozinha de antigamente, movimentada, bordada, colorida, viva e alegre. Fazia gosto!


Vai uma aguinha de moringa bem fresquinha????

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Santa Bárbara


Pintura linda e imensa de Santa Bárbara que fica entre  escadarias do Museu da Misericórdia que dão para o mar. Uma beleza!!!! Adoro!
Esse ano não teve a procissão da Santa...coisas do ano pandêmico que não pode haver aglomeração, já que a procissão de Santa Bárbara leva uma multidão pelo centro antigo de Salvador
Mas, no ano que vem, tem.


 



quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Carmen Mayrink Veiga, a I e Única!


Um pacote com xerox de cópias antiguinhas, as imagens desaparecendo, sumindo. Revistas que eu não comprei na época, um amigo, fã de Carmen Mayrink Veiga, me mandava - fazia a caridade - de me enviar em xerox. Recentemente achei essa matéria da Interview de 1978 por aí na net, mas não arrastei. Prefiro a minha cópia velhinha que deu e dá para o gasto. Quando eu achar a revista em algum sebo, compro e enxerto aqui.

Essa matéria é incrível, é uma entrevista/depoimento onde Carmen conta tudo, fala sobre tudo. Uma delícia! Na época eu e meu amigo enlouquecemos kkkk era tudo o que a gente queria saber e ler e, Michael Koellreutter, soube conduzir essa  entrevista perfeita com Carmen.

Michael, assim como Hildegard Angel costuma fazer, dá o título - aqui nesta entrevista - de I e Única para Carmen Mayrink Veiga. É o título que cabe para ela. Para todo e sempre.