Em maio do ano passado fui com um amigo de São Paulo a uma visita pelo centro histórico de Salvador e passando pela porta da Sociedade dos Desvalidos resolvemos entrar para conhecer. Na verdade há anos que eu morria de vontade de entrar ali e ver como era as instalações da Sociedade que fica em um prédio do início do século XIX.
Naquele dia tinha muitos adolescentes na casa ensaiando para alguma atividade artística. Fomos recebidos por eles e por umas senhoras que estavam lá e nos receberam muito bem, com muita simpatia. Perguntei se poderia fotografar e elas permitiram numa boa.
Fiquei louco pela construção, salões decorados com pinturas feitas a mão nas paredes, piso corrido em taboado de madeira, escadarias, corrimões, os azulejos hidráulicos do corredor de entrada, pelos móveis de madeira de lei, portas, divisórias, cadeiras e mesas lindas.
A casa possui também uma pequena capela interna super bonita e com uma imagem de Nossa Senhora da Conceição no nicho do altar encimado por um belo crucifixo.
Ficamos extasiados com a beleza do lugar e pela decoração que, me parece, está tudo igual à época em que a Associação foi fundada e muito bem conservado e limpo.
No dia 20 agora de novembro, li no jornal A Tarde que um documento da Irmandade, uma ata, feita entre os anos de 1832/1847 havia sido restaurado e recebeu um certificado da Unesco como um registro nacional do Programa de Memória do Mundo, documento que é uma relíquia pertencente à Associação dos Desvalidos, uma irmandade criada por negros, ex-escravos de auxílio mútuo.
Este documento, raro, é importantíssimo pois mostra a presença dos negros na cidade de Salvador no século XIX.
Então, essas simples fotos que fiz estou postando-as em um momento muito importante para a Associação Protetora dos Desvalidos e para a história da Bahia e do Brasil.
Vejam como o local é lindo.
Novos santinhos antigos comprados e, entre eles, este de 1919 de Santa Cecília, que é a protetora dos músicos e teve o seu dia comemorado ontem, 22 de novembro.
Comprei uma quantidade grande de santinhos antigos - que quem os recebeu de herança, não querem mais vê-los - e entre eles havia algumas orações e esta, de São Jorge, datilografada, xerocada e recortadinha em um pequeno pedaço de papel eu AMEI!
Ela é uma variação de todas as orações de São Jorge para proteger os seus fies, mas, ESSA, é uma "nova" oração-blindagem, e que eu, devoto, não conhecia.
Li, reli, escaneei e tratei de guardar em minha carteirinha de sair para a rua. Agora blindado, evidentemente.
(A medalha de São Jorge incrustada de pedras preciosas, que ilustra aqui a oração ao santo, é um achado do Google e que eu, infelizmente, na época em que "arrastei", não anotei a procedência.)
E vamos rezar para São Jorge!!!
Quadro de profissões, as mais diversas e entre elas, muitas que já desapareceram ou estão em vias de deixar de existir. A de limpador de chaminés, por exemplo, se já teve algum profissional do ramo no Brasil tropicaliente, este deve ter tido trabalho na região sul. Por lá tem lareira. Ainda tem.
Ser costureira, por incrível que pareça, não apetece a nenhuma garota como um serviço, uma forma de ganho. As poucas e boas ainda existem e cobram caro, afinal, o ofício virou luxo para aquelas e aqueles que podem pagar. O que rola agora são as costureiras/consertadeiras/custumizadeiras, isto é, aquelas que fazem bainhas de calças, põem e repõem zípers, pregam botões, fazem casas na máquina, apertam e folgam roupas, dão entradas ou põem para dentro tecidos, se a dona do vestido emagreceu ou engordou. Enfim, elas não fazem mais roupas seguindo um molde de um figurino ou do desenho escolhido pela freguesa.
Chapeleiro?? Eu fui vizinho na minha infância de um senhor que fazia chapéus em casa e os vendia em sua loja na Cidade Baixa e, aqui mesmo em Salvador, já teve uma rua com várias casas de chapéu e com chapeleiro na casa. A rua continua a existir no bairro do Comércio, mas os chapéus e os chapeleiros sumiram.
Empregadas domésticas, daquelas que dormiam no emprego e que faziam serviço cativo nas casas, já era ou está muito difícil de encontrar alguma mulher para tal mister. Mas como existe gente com muito dinheiro, nas casas deles devem existir ainda aquelas que ficam 24 horas servindo os patrões, mas com o amparo das atuais leis trabalhistas. Hoje, há as diaristas, as faxineiras, as que trabalham em muitas casas e sem patrão.
E por aí vai este quadro quase obsoleto de profissões, de atividades que um dia já existiram à socapa e hoje foram varridas pelo progresso, pela falta de clientes, pela falta de dinheiro ou por terem saído de moda mesmo.
Os ofícios, os ofícios manuais, os manufaturados, os mecânicos, os dos operários especializados ou não, os trabalhos artísticos, os artesanais, os trabalhos domésticos, todos entraram em uma espécie de revolução, se modificaram, alguns se adaptaram e outros escafederam-se mesmo.
Coisas do tempo.
Este lindo quadro de profissões está em um volume de uma antiga enciclopédia que comprei no meio da rua e já bastante usada, com páginas arrancadas e outras picotadas, como se tivessem sido recortadas para antigos trabalhos escolares. E foram. Comprei o livro porque vi este quadro de profissões - adorei! - e umas coisitas mais que dão um caldo gostoso aqui para o blog.
À propósito, a enciclopédia é a Delta Larousse Júnior.
- Ih! Tô cheia de costuras, a máquina está cheia! E muita costura de mão para fazer. E ninguém me ajuda!!!
TV Itapuã, 1965.
- Chaminé imunda!. Se ainda fosse de pó de madeira, tudo bem!. Mas limpar a gordura de churrascaria não há quem aguente!!! Quem me dera limpar o pó das antigas lareiras...
-A patroa é porca...deixa tudo imundo, ih!nunca vi tanta imundície!!! Se continuar assim, vou pedir minhas contas!
-Ficou perfeito este chapéu!!! E olhe que eu sou difícil de enchapelar!! Meu rosto é muito fino...Obrigada, seu Pacheco.
-O mesmo corte de sempre, querido.
-Pois não, madame Campos!
-Só me pedem para retalhar quando o telhado está o fim! Que gente, meu deus! Haja betume para tantos buracos!!!!
- Pegue o meu melhor ângulo, sim!???!!!!
-Tô morta de tanto passar e engomar...que gente enjoada, tudo tem que ser na goma, tudo vincado...misericórdia!! E a miséria que me pagam, ufa, ufa. Tô mais quente que o ferro!!!
-Já estou acabando de montar o editorial, daqui a pouco tudo vai para a prensa, deixe de agonia seu Peçanha!
-Muito bem Dr. Albuquerque, mais alguma carta, mais algum documento, mais alguma ata, mais um ofício, mais uma carta-convite, mais um comunicado interno, mais algum pedido? Já passam das 6!!!!
-Não se esqueça de ao fim do trabalho aparar-me os cabelos das narinas!
-Pois não, senhor Botelho, o senhor me pede isso há 30 anos!!!
Capa de um disco de Chris Joss - que não conhecia - e que encontrei fuçando ao léu pelo Google e adorei. Lembrei de Diana Ross, de Angela Davis, Elza Soares e mais outras e muitos outros - Tony Tornado, Os Tincoãs, Trio Mocotó - que usaram este penteado que foi moda nos anos 70, assim, o cabelo todo redondinho. Um barato.
E a concepção da capa do disco é sensacional.
Fotinha em contra capa de uma antigo Lp reunindo grandes cantores da época, isto é, dos anos 50.
Lana é um phenômeno: aos 80, voz de menina, cristalina.
Amo Lana!
Anúncio de 1969 na capa do Almanaque Renascim daquele ano. Não lembro da Farmácia Virgínia que ficava na Baixa dos Sapateiros, local de comércio popular aqui de Salvador.
Lembro de uma outra farmácia - que não lembro o nome e que ficava na Ladeira da Praça, pertinho da Baixa e que permanecia aberta durante toda a madrugada - sem grades de proteção e sem guardas pois, nessa época, não havia ladrões, larápios e gatunos em profusão como hoje. Essa farmácia era uma "mão na roda", um "safa onça" quando alguém passava mal e precisava de um remédio nas altas horas da madrugada. Era para lá que muita gente corria, inclusive minha família.
Lembro também de uma farmácia que ficava na Avenida Sete, na altura das Mercês e que também ficava aberta à noite toda, sem seguranças e funcionava tranquilamente.
As 3 já não existem mais.
As farmácias que ficam abertas à noite toda atualmente - e são poucas aqui na cidade - são verdadeiros bunkers, superprotegidas, grades, seguranças e etc. etc.... enfia-se a mão pela grade estreita e passa-se o dinheiro para receber o remédio. E sai-se correndo com medo que assaltem a gente e nos roubem o remédio comprado. O cúmulo!
Os gatunos aumentaram em profusão na Bahia, em Salvador e em todo Brasil.
Renascim urgente!
Ganhei do meu amigo Walter, essas duas cabeças de bonecas. São em biscuit e, segundo ele, de procedência alemã. A pasta é branca, mas elas possuem umas manchas escuras e acinzentadas.
Não sou muito fã dessas bonecas antigas em biscuit ou em porcelana, elas me dão até um pouco de "meda", mas, essas cabecinhas assim, sem pintura, apenas parte de corpos, ainda em fase pré boneca, não me causam medo.
Tratei de enfiar as cabeças na vitrine, no meio dos meus trecos.
Revista Seleções, anos 50.
Barrilzinho/souvenir do Barril 1800, bar e restaurante muito famoso e badalado que ficava na Avenida Vieira Souto, perto do Arpoador. Tinha shows e nele, por sinal, Lana Bittencourt gravou um LP ao vivo.
Antes de colocar aqui este barrilzinho/souvenir que comprei em um bazar, fui ao Google saber alguma coisa do Barril 1800 e fiquei sabendo que depois de muitas décadas brilhando nas noites cariocas, o Barril 1800 fechou as suas portas em 2007.
Fica de lembrança aqui, o barrilzinho de louça que deve ter sido de um antigo frequentador do antigo bar e restaurante, lembrança da época em que o Rio de Janeiro era realmente uma cidade maravilhosa.
O barril de louça é da fábrica Ceramarte.
Abaixo, foto do Barril 1800 no Arpoador.
E Lana, maravilhosa, na capa do disco gravado ao vivo do Barril 1800 em 1965. Lana Bittencourt é um fenômeno! Até hoje conserva a sua voz perfeita e límpida e as interpretações...impagável Lana!
Que tal saborear uma cachacinha ouvindo Lana????? Entremos no túnel do tempo, 1965, zás!!