sexta-feira, 17 de março de 2017
O Operário e a Cuia . Foto de Voltaire Fraga
Um operário, possivelmente um pedreiro, devido às manchas de tinta no corpo, almoça em seu local de trabalho e o seu prato é uma cuia de Queijo do Reino - terá sido da marca Figuinha???
Antigamente muitas pessoas se aproveitavam das cuias para comer. Tempo pré matéria plástica.
Um amigo meu, quando era criança, viu uma empregada da casa comendo em uma cuia e implicou que só queria comer em uma. A mãe fez a vontade e, no seu lugar à mesa, encontrava a sua cuia no lugar do prato. KKKK. Depois ele deixou a mania. Deve ter passado pra outras.
Hoje eu não vejo mais ninguém se aproveitando das cuias para comer. Agora usam vasilhas plásticas que, operários ou não, já trazem para seus trabalhos com o farnel dentro. A cuia prescreveu.
O que não prescreveu foi esta linda foto de 1965 feita pelo fotógrafo baiano Voltaire Fraga.
Esse feijão com arroz, carne seca e farinha deveria estar uma delícia!!! E servido na cuia de queijo mais ainda.
Dá vontade de imitar o meu antigo amigo e cair de boca numa cuia!
Foto de Voltaire Fraga escaneada da revista Muito do Jornal A Tarde, janeiro de 2009.
quinta-feira, 16 de março de 2017
João Alves . O Engraxate Pintor
No hall interno do prédio, pregado nas paredes havia vários quadros, entre eles dois de João Alves, pintor baiano que fez uma longa carreira aqui em Salvador. Surpresa total!
João Alves faz parte do folclore da cidade, foi estivador, depois engraxate e, nas horas de folga, entre um sapato e outro a engraxar, ficava pintando os seus casarios e cenas de rua do Pelourinho, do centro antigo com suas igrejas, o povo do lugar. Muitos intelectuais da época acharam João Alves o máximo e começaram incentivar e a comprar os seus trabalhos que logo se tornaram valiosos. João Alves fez exposições, produziu muito, vendeu muito e morreu nos anos setenta...pobre. Hoje as suas obras são vistas em museus, galerias, em leilões e vendidas a preço alto.
Pelo que li, foi Pierre Verger, o fotógrafo francês, quem primeiro percebeu o talento do engraxate, comprou uma de suas obras e o incentivou a pintar, o mesmo fizeram Odorico Tavares, Jorge Amado e outros bambambans da época.
João Alves era um negro belíssimo, alto, musculoso. Será que Pierre Verger não o fotografou? A única foto que vi do artista é esta que está aqui. Pierre Verger marcou bobeira em não eternizar através de sua câmera o belo João Alves. Uma pena!
Há uns cinco anos, eu acho, visitei uma exposição retrospectiva do trabalho de João Alves no Museu de Arte da Bahia, um dos melhores de Salvador. Salas inteiras para João Alves.
Este ano visitando o magnífico Museu AfroBrasil em São Paulo vi várias obras do João Alves expostas.
João Alves é destaque, é sucesso, é cifra. Da Praça da Sé em Salvador para o mundo. Uma pena que, em vida, o pintor não tenha usufruído financeiramente do seu trabalho.
Estes dois quadros estão no edifício que visitei. O casario deve ter sido um dos últimos trabalhos de João Alves, pois ele morreu em 1970.
Igreja de São Pedro dos Clérigos - parece - no Terreiro de Jesus. 1962.
A escadaria que me levou a João Alves.
O belo pintor em ação.
Obras de João Alves arrastadas do Google.
Acho que esta pintura se chama Incêndio no Pelourinho, é linda!
Obra de 1970, simplesmente bela com o efeito quadriculado desses andaimes cortando a frente das casas.
O Cruzeiro e a Igreja de São Francisco.
E João!
quarta-feira, 15 de março de 2017
Hélio Basto
Andando por Salvador, encontrei em uma imobiliária do centro da cidade, este belo quadro de Hélio Basto, pintor e retratista baiano, hoje, totalmente esquecido.
Hélio foi um dos artistas da turma de artistas modernos da Bahia dos anos 50 - Carlos Bastos, Mário Cravo, Genaro de Carvalho, Maria Célia Calmon, José Pedreira entre outros - que revolucionaram tudo o que por aqui se fazia. Aliás, acho esta turma de artistas plásticos baianos insuperável, era muita gente boa e talentosa junta e, num momento especial da cidade de Salvador que, nesta época, os anos 50, fervilhava culturalmente com o teatro, a música e o cinema.
Nos anos 70 eu frequentei muito uma galeria de arte e bar, a Galeria 13, que tinha em suas paredes vários quadros de Hélio Basto e de muitos outros artistas baianos também. Este bar/galeria funcionava no Pelourinho muito antes da restauração, era habitado pela gente muito simples do local e todos iam para lá beber e ouvir a ótima música em LPs. que Deraldo, o dono, colocava na radiola. Era uma delícia a Galeria 13. Fechou há séculos.
Pois bem, como ia dizendo e retomando o pincel, achei a bela pintura de Basto - sem data - propus comprar, mas me pediram uma fábula, então, fotografei pra ter a imagem de recordação.
Para engrossar o caldo da postagem, fui ao Google e arrastei algumas fotos de obras de Hélio Basto, um baiano pintor que mereceria uma boa retrospectiva de seus trabalhos. E onde estariam estes trabalhos, pelo amor de deus???!!!
Mas ele anda tão esquecido...parece que nunca existiu. Uma tristeza.
Hélio com um gato no colo e, em uma das telas... um gato.
Deveria ser dos meus: louco por gatos. Abaixo, uma tela de Hélio Basto que me foi enviada recentemente - 23.06.2020 - via e-mail - por Marcus Vinícius. O tema, Nossa Senhora, que recebe dos braços de um anjo, seu filho Jesus. Os espaços e as figuras são preenchidas por uma camada homogênea de tinta - característica marcante nas obras de Hélio Basto - que realça os traços livres do seu desenho.
Agradeço ao Marcus Vinícius pela colaboração com o blog.
Abaixo, mais uma obra de Hélio Basto, um São Cosme e São Damião belíssimo que me foi enviada ontem - 12.07.2020 - por Bruno Porciúncula a quem agradeço pela colaboração.
Esta página do blog dedicada ao esquecido artista plástico moderno baiano vai ficando aos poucos mais rica com as colaborações.
Abaixo, mais imagens de telas de Hélio Basto retiradas do Google.
Agradeço a Alexandra e a todos que entram aqui no Antiguinho e me mandam obras de Helio Basto de suas coleções. Assim, esta página dedicada ao artista vai ficando mais completa e mais bonita.
Abaixo o quadro retratando a d. Lenira Amélia.
domingo, 12 de março de 2017
Brigitte Bardot . Charmosa BB!!!
Foto do Face.
Adoro BB assim, casual, à vontade, sempre linda e sempre na dela, anti-estrela, apesar de ter sido a maior estrela do cinema francês.
Tem umas fotos de BB que eu piro e esta, que não conhecia, é uma delas.
Como Brigitte era charmosa!
Uau! Mil vezes uau para Brigitte!!!!!!
sábado, 11 de março de 2017
Carmen Mayrink Veiga e Reynaldo Loyo
Jornal O Globo, coluna de Hildegard Angel, janeiro de 1996.
Reynaldo Loyo tinha uma coluna social no Jornal O Dia, do Rio de Janeiro, que era hilária. Língua ferina, Loyo sabia dirigir os seus comentários ácidos para aqueles ou aquelas que não simpatizava, mas quem ele gostava, como Carmen Mayrink Veiga, por exemplo, era um doce, um encanto. Meigo.
Espirituoso, fino observador, crítico e sempre com um humor que lhe era bem peculiar - não deixava nada passar barato - ler a coluna dele era garantia de risadaria certa.
Infelizmente eu não guardei nenhuma coluna dele. Guardei coisas esparsas que até já coloquei aqui. Mas, de repente, se surgir um pacote misterioso dentro do maleiro, no fundo de uma gaveta, um pacote atrás de um pacote... kkkk , se eu achar, tomara, Reynaldo Loyo e sua engraçadíssima coluna renascem aqui.
Reynaldo Loyo tinha uma coluna social no Jornal O Dia, do Rio de Janeiro, que era hilária. Língua ferina, Loyo sabia dirigir os seus comentários ácidos para aqueles ou aquelas que não simpatizava, mas quem ele gostava, como Carmen Mayrink Veiga, por exemplo, era um doce, um encanto. Meigo.
Espirituoso, fino observador, crítico e sempre com um humor que lhe era bem peculiar - não deixava nada passar barato - ler a coluna dele era garantia de risadaria certa.
Infelizmente eu não guardei nenhuma coluna dele. Guardei coisas esparsas que até já coloquei aqui. Mas, de repente, se surgir um pacote misterioso dentro do maleiro, no fundo de uma gaveta, um pacote atrás de um pacote... kkkk , se eu achar, tomara, Reynaldo Loyo e sua engraçadíssima coluna renascem aqui.
Garance Doré
Fui à feira, ao Google e, tratei de arrastar umas ilustrações de moda de Garance Doré, uma moderna seguidora de René Gruau.
É bom, é de bom alvitre e é "de muito bom senhor", e "de muito boa senhora", entrar no Google e fuçar Garance. Tem mais coisas ótimas dela por lá, um grande sortimento de ilustrações.
À feira , então!
quinta-feira, 9 de março de 2017
Uma Fábrica de Santos em Nápoles de Thomas Unwins
Descobri esta obra, um óleo sobre tela de Thomas Unwins em um livro didático atual - nada de antiguinho - e fiquei encantado pela obra e, principalmente, pelo tema abordado pelo pintor inglês, nascido em Londres em 1782 e falecido em 1857.
"Uma Fábrica de Santos em Nápoles" é o nome desta pintura de Thomas Unwins, um pintor até então desconhecido para mim e feita em 1832. O quadro faz parte do acervo do New Walk Museum Art Gallery, de Leicester, Reino Unido.
Ao contrário de certas reproduções dos livros antigos que gosto pela má qualidade da impressão de antes da fotocomposição, não me contentei com a reprodução do livro didático novo e que é até boa. Quis ver a obra com mais qualidade e nitidez e, por isso, fui à página da internet do Museu de Leicester. Queria "ver bem" como era uma fábrica de santos no século XIX.
Que interessante descobrir esta obra agora.
A reprodução da pintura no livro.
A legenda sob a foto diz: "A partir do século XIX, o artesanato ficou concentrado nos espaços das oficinas, onde um pequeno grupo de aprendizes vivia com o mestre-artesão, detentor de todo o conhecimento técnico. A Revolução Industrial trouxe a valorização da mecanização sobre o artesanato, extinguindo a liberdade do operário e sua identificação com aquilo que ajudava a produzir."
Eu diria que, muito antes do século XIX os ateliês de arte existiam com o seu mestre, pintor, escultor, gravador, modista etc. e os muitos aprendizes que aprendiam, ajudavam e executavam, também, as obras sendo feitas, obras muitas vezes de encomendas.
quarta-feira, 8 de março de 2017
Globerama 1
Enciclopédia Globerama, editada em 1962. O conhecimento humano, o progresso da ciência, descobertas, a natureza, povos e nações, animais, vegetais, todos os avanços tecnológicos até 1962. Didatismo.
-Vamos estudar crianças!
-E tratem de abrir a Globerama, já, já!
-Papai não está achando dinheiro na rua! A Globerama, positivamente, não foi comprada à toa. São seis volumes a estudar! Vamos, vamos!
Fotos retocadas, desenhos a partir de fotos, ilustrações, cópias, reproduções. Papel poroso. Impressão péssima. Adorei. Cafona até não mais poder. Kitsch. Comprei. Como não comprar para, depois, brincar de escanear? Excesso de bagagem, oh! Que fazer? Mais vale um gosto que cem mil réis.
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