domingo, 31 de janeiro de 2021

Um Livro de Boas Maneiras e Deselegâncias da Modernidade


 


Comprei este livro antigo de Boas Maneiras nas minhas eternas e costumeiras andanças pelas ruas e praças de Salvador. O livro de autoria de Carmen D'Avilla me chamou a atenção pela capa super bonita com flores em um verde antigo e, também, o tema dele que gosto de ler, me interesso e dou muitas risadas com os costumes e hábitos tão educados e completamente comuns antigamente e, hoje, completamente fora de moda. A educação nunca sai de moda, o respeito, o trato com o outro, mas, convenções e hábitos de etiqueta muitos prescreveram.
Muito legal foi ler nas primeiras páginas a assinatura da dona do livro, d. Ajurimar Bartilotti, senhora de tradicional família baiana, uma dama da antiga alta sociedade que, anos depois iria emprestar ou oferecer o seu bom gosto e conhecimento da arte de decorar a algumas casas e a alguns empreendimentos.
Conhecedora de mobiliário colonial brasileiro, de arte sacra, louçaria  e de objetos antigos, foi d. Ajurimar quem decorou com muita elegância e sobriedade o antigo Hotel Villa Romana que, depois de anos servindo a hóspedes do mundo inteiro que vinham à Bahia e encontravam nele, através da decoração, características bem marcantes da realidade colonial da velha cidade. O Villa Romana não era um desses hotéis de decoração impessoal como hoje vemos, era aconchegante e tinha referência no passado baiano através dos objetos coletados por antiquários para decorar os ambientes. Também não era um hotel luxuoso, era até bem simples, mas personalíssimo. Baiano. Brasileiro.
O Hotel Villa Romana está sendo demolido e vai dar lugar a uma torre de apartamentos que irá mudar drasticamente a paisagem do local em que se situava o hotel.
Selecionei do Google várias imagens do Hotel Villa Romana e os ambientes decorados com elegância por d. Ajurimar Bartilotti.




































E, Fim!





4 comentários:

  1. Jorge

    Os livros de etiqueta e boas maneiras são um caso curioso da sociologia humana e já tem a sua história. Como bibliotecário já apanhei umas quantas edições do século XIX dessas obras e ainda hoje são publicadas. Há uns 10 anos, uma socialite portuguesa, a Paula Bobone, publicou um desses manuais de etiqueta e fez furor.

    É certo que a boa educação nunca é demais, pois facilita o convívio com a restante humanidade, mas pergunto-me sempre se quem lê esses livros, serão as pessoas sem educação e que querem ascender socialmente e parecer mais do que aquilo que são realmente. Claro, eu não sou convidado para festas elegantes, nem tenho que dar jantares complicados, com caviar, marisco, carne e por a uso não sei quantos tipos de talheres ou copos para os diferentes vinhos. Já fui uma vez a um almoço na Embaixada de Portugal em Paris, por ocasião de uma exposição de arte, onde a coisa era mais complicada, mas limitei-me a copiar o que os outros faziam.

    Talvez eu tenha tido o privilégio de ter uma boa educação e não pretenda frequentar a sociedade.

    Mas em todo o caso, esses manuais de etiqueta são um caso curioso.

    Quanto ao hotel, numa da fotos vê-se uma espécie de arquibanco, com uma mesa ao fundo, onde está pousado, um jarro de toilette. A minha avô tinha um no corredor, que agora está na cada de Vinhais e tem um certo encanto. Realmente é interessante verificar que estes móveis eram comuns quer em Portugal, quer no Brasil.

    Um abraço

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  2. Olá, querido, um livro atual de boas maneiras eu jamais compraria. O que eu sei de comportamento e de civilidade aprendi com meus pais. E o respeito é a palavra chave para tudo e para com todos.
    Os livros antigos de boas maneiras, como esse, eu compro para ler salteado e para dar boas risadas. Parece que é um outro mundo...convenções medonhas.
    Já anotei o nome da Paula Bobone kkkkk vou pesquisar...onome é ótimo.
    Esse hotel era personalíssimo, o chão em tabuado, detalhes da decoração que remetem à Portugal, ao Brasil colonial. Era um hotel para gente se hospedar. Hoje os hotéis são frios, impessoais, servem pra gente fria, sem alma.
    Um abraço, saúde, Luís.

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  3. D.Ajurimar era amiga e cliente do meu pai, Antenor dono da loja Antenor Decorações na Av. Sete. Fui amigo de um sobrinho dela Adelino , dono do restaurante Bate Boca na Barra. Ela era uma senhora da sociedade, educadíssima. Infelizmente, hoje em dia, aqui no Brasil, as classes mais abastadas geralmente são as mais mal educadas. Adoro estilo colonial. Adoro Portugal também, meu local preferido de férias.Um abraço a todos!

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  4. Obrigado pelo comentário, amigo. D. Ajurimar era irmã de d, Indaiá dona do Côco e Dendê. Era a mãe de Adelino que conheci lá no Bate Boca.
    Sim, muito educada e fina. A casa dela no Largo da Graça, onde depois funcionou a Bahiatursa, era linda.
    Pois é, hoje o dinheiro está em mãos de novos ricos, alguns bem educados, mas a maioria faz a linha "tô pagando" e comete todas as gafes imagináveis.
    Um abraço.

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